Economia

Taxas dos DIs fecham em alta com IPCA, Copom e eleições

ResumoAs taxas dos DIs fecharam em alta nesta terça-feira, impulsionadas pelo IPCA acima do esperado, pela ata do Copom e pela nova pesquisa eleitoral. O movimento refletiu a percepção de maior risco inflacionário e incerteza política, elevando os prêmios nos contratos futuros de juros.

As taxas dos DIs fecharam em alta nesta terça-feira, com investidores reagindo ao IPCA acima do esperado, à ata do Copom e à nova pesquisa eleitoral. Veja os detalhes e os números.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 11 de agosto de 2026
Taxas dos DIs fecham em alta com IPCA, Copom e eleições

Taxas dos DIs fecham em alta em dia com IPCA, ata do Copom e pesquisa eleitoral

As taxas dos DIs fecharam a terça-feira em alta, com os investidores reagindo ao IPCA acima do esperado e digerindo a ata do Copom e a nova pesquisa eleitoral. O movimento refletiu a combinação de inflação pressionada e sinais de cautela do Banco Central.

IPCA acima do esperado pressiona juros futuros

O IBGE informou que o IPCA teve variação positiva de 0,07% em julho, contra expectativa de avanço de 0,03% em pesquisa da Reuters. Em 12 meses, o índice acumula alta de 4,44%, abaixo do teto da meta, mas o número veio acima do consenso, o que reforçou a cautela do mercado.

A leitura mais quente da inflação, ainda que dentro do intervalo tolerado, foi suficiente para empurrar as taxas futuras para cima. O mercado passou a precificar um cenário em que o Banco Central pode precisar de uma postura mais firme, especialmente diante dos alertas da ata do Copom.

Ata do Copom: alertas sobre efeitos indiretos e demanda aquecida

Na ata da última reunião, o Banco Central fez alertas sobre eventual disseminação de efeitos indiretos de choques relacionados aos preços do petróleo e a efeitos climáticos. O texto indicou que isso demandaria "reação firme" da política monetária, demonstrando preocupação com uma inflação pressionada pela demanda em meio a medidas de estímulo adotadas pelo governo.

A leitura dos investidores é que o BC permanece vigilante, e qualquer sinal de relaxamento da política monetária fica mais distante. Isso tende a manter as taxas longas em patamares elevados, enquanto o mercado acompanha a evolução dos preços e das contas públicas.

Pesquisa eleitoral: Lula lidera, mas distância preocupa

A pesquisa CNT/MDA mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue à frente na disputa pela Presidência, com 48% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que soma 39,1%. O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre 5 e 9 de agosto, e a distância no primeiro turno ficou próxima da registrada em junho.

A proximidade entre os cenários eleitorais adiciona incerteza ao mercado, que passa a precificar possíveis mudanças na política econômica. A cada nova pesquisa, os investidores reavaliam o risco fiscal e o impacto sobre os juros futuros.

DIs fecham em alta: números do pregão

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,905%, em alta de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,825% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 marcava 14,530%, com alta de 2,4 pontos-base ante o ajuste de 14,506%.

O movimento foi generalizado, mas mais intenso nos vencimentos intermediários, refletindo a revisão das expectativas para a trajetória da Selic nos próximos anos. O mercado segue atento aos próximos dados de inflação e às sinalizações do Banco Central.

Treasury de dez anos: referência global em leve queda

No exterior, às 16h30, o rendimento do Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, tinha variação de -0,26% (queda de 1,2 ponto-base), a 4,691%, ante 4,704% no pregão anterior. A leve queda do rendimento americano não foi suficiente para conter a alta dos DIs locais, o que reforça o peso dos fatores domésticos no pregão.

O que esperar dos juros futuros

Com o IPCA acima do esperado, a ata do Copom com tom cauteloso e a eleição no radar, o mercado de juros deve continuar volátil. A combinação de inflação pressionada pela demanda e incerteza fiscal tende a manter as taxas em patamares elevados, especialmente nos vencimentos mais longos.

Investidores acompanham de perto a evolução dos preços de alimentos e energia, além dos efeitos climáticos sobre a safra. Qualquer sinal de pressão adicional pode reforçar a expectativa de juros altos por mais tempo.

Cenário eleitoral e risco fiscal seguem no radar

A pesquisa eleitoral mostrou uma disputa mais apertada do que o esperado, o que aumenta a incerteza sobre o futuro da política econômica. O mercado tende a exigir prêmio adicional enquanto não houver clareza sobre o próximo governo e suas prioridades fiscais.

A combinação de fatores domésticos e externos deve manter os DIs sensíveis a qualquer novidade. O ciclo, no entanto, sempre vira: a questão é saber quando e com que intensidade.

Perguntas Frequentes

O que são os DIs?

Os DIs (Depósitos Interfinanceiros) são títulos que negociam a taxa de juros futura no Brasil. Eles refletem as expectativas do mercado para a Selic e para a inflação, sendo referência para financiamentos e investimentos.

Por que os DIs subiram com o IPCA?

O IPCA de julho veio acima do esperado, o que indica inflação mais pressionada. Isso reduz a chance de cortes de juros e eleva as taxas futuras, pois o mercado passa a exigir prêmio maior para segurar títulos atrelados à Selic.

O que diz a ata do Copom?

A ata da última reunião do Copom alertou para a disseminação de efeitos indiretos de choques de petróleo e clima, que demandariam "reação firme" da política monetária. O BC também mostrou preocupação com a inflação pressionada pela demanda.

Como a pesquisa eleitoral afeta os juros?

A pesquisa eleitoral aumenta a incerteza sobre o futuro da política econômica. Quanto mais apertada a disputa, maior o prêmio de risco exigido pelo mercado, o que tende a elevar as taxas futuras.

Qual a relação entre o Treasury e os DIs?

O Treasury de dez anos é referência global para decisões de investimento. Quando ele cai, tende a aliviar a pressão sobre ativos de risco, mas no pregão desta terça a leve queda não foi suficiente para conter a alta dos DIs locais.

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