Voepass: presidente diz que não sabia de falhas antes de acidente
A defesa do presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, afirma que ele não sabia de falhas que antecederam a queda do voo 2283 em Vinhedo, que matou 62 pessoas. Ele está entre os 16 indiciados pela Polícia Federal.
Presidente da Voepass diz que não sabia de falhas que antecederam acidente em Vinhedo
A defesa de José Luiz Felício Filho, diretor-presidente e dono da Voepass, afirmou que o executivo não tinha conhecimento de problemas específicos que antecederam a queda do voo 2283 em 2024, em Vinhedo, que deixou 62 mortos. Felício Filho está entre os 16 funcionários e ex-funcionários da companhia indiciados pela Polícia Federal após a investigação sobre o acidente.
Segundo a defesa, na época do acidente, Felício Filho integrava o conselho da Voepass e não participava da gestão direta e cotidiana das operações desde 2017.
Defesa alega desconhecimento e cita medidas de segurança
Em nota assinada pelo advogado Roberto Podval, a defesa afirma que Felício Filho, ao tomar conhecimento de questões relacionadas à comunicação de problemas técnicos, "determinou a adoção de medidas para assegurar o cumprimento dos protocolos de segurança". A nota reforça que o executivo "nunca teve conhecimento de que condutas contrárias a essas determinações persistissem, nem de fatos específicos que antecederam o acidente".
A versão apresentada pelo advogado contrapõe pontos do relatório divulgado pela Polícia Federal na quinta-feira, 6. No documento, os investigadores afirmam que Felício Filho era quem "efetivamente" deveria agir para "interromper o cenário de omissões que a companhia aérea vivia quanto à manutenção e operação das aeronaves".
PF aponta conhecimento pleno e responsabilidade formal
A Polícia Federal sustenta que o executivo "detinha pleno conhecimento dos problemas técnicos graves da frota". Segundo a investigação, Felício Filho também aparecia nos processos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como responsável pelo cumprimento das intimações eletrônicas destinadas à companhia. Ele era quem formalmente tomava ciência dos ofícios e das não conformidades apontadas pela agência ao longo dos anos.
A defesa afirma, por outro lado, que Felício Filho retomou a gestão direta da Voepass depois do acidente e "promoveu mudanças na estrutura e nos procedimentos operacionais, além de ampliar a interlocução com a ANAC".
"José Luiz Felício Filho seguirá colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos, reitera seu respeito às investigações e manifesta solidariedade aos familiares das vítimas", diz a nota.
Relatório da PF: 16 indiciados e penas de até 24 anos
A Polícia Federal divulgou na quinta-feira o relatório sobre a queda da aeronave. Ao todo, 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass foram indiciados. Quinze deles são investigados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo e um por falsidade ideológica. Segundo a PF, os investigados tiveram responsabilidade ou contribuíram para o acidente por ação ou negligência.
O inquérito será analisado pelo Ministério Público Federal (MPF), que decidirá se apresenta denúncia à Justiça contra os indiciados. Em caso de condenação, as penas podem variar de 8 a 24 anos de prisão. Os 16 estão proibidos de deixar o País até a conclusão da análise das investigações pelo MPF.
Quem é José Luiz Felício Filho
Conhecido como comandante Felício, José Luiz Felício Filho é piloto há mais de 30 anos e assumiu a presidência da Voepass em 2004.
Caixa-preta revela falhas recorrentes e sistema de degelo inoperante
Diálogos registrados na caixa-preta do avião mostram que a aeronave apresentava falhas recorrentes que não eram sinalizadas pelas tripulações. O relatório também revelou que os pilotos sabiam da falha no sistema de degelo.
Segundo a PF, o acidente foi provocado pela perda de controle em voo decorrente do acúmulo de gelo na aeronave, da inoperância do sistema pneumático de degelo e da falta de execução tempestiva e adequada dos procedimentos necessários diante da falha no sistema, da degradação de performance, das condições severas de gelo e do estol, quando ocorre perda de sustentação.
O que dizem os especialistas sobre a responsabilidade
A versão da defesa contrasta com o relatório da PF, que atribui a Felício Filho a responsabilidade de interromper as omissões na manutenção e operação das aeronaves. A investigação aponta que ele detinha conhecimento pleno dos problemas técnicos graves da frota, o que reforça a tese de negligência.
A defesa, por sua vez, sustenta que ele não participava da gestão direta desde 2017 e que, ao saber de questões técnicas, determinou medidas para garantir os protocolos de segurança. A divergência entre as versões será analisada pelo MPF, que decidirá sobre eventual denúncia.
Próximos passos da investigação
O inquérito da PF segue para o Ministério Público Federal, que avaliará se há elementos para apresentar denúncia à Justiça. Os 16 indiciados estão proibidos de deixar o País até a conclusão da análise. A decisão do MPF pode levar a novos desdobramentos, incluindo a abertura de ação penal e possíveis condenações.
Perguntas Frequentes
O que a defesa de Felício Filho alega?
A defesa afirma que ele não tinha conhecimento de problemas específicos que antecederam o acidente e que não participava da gestão direta das operações desde 2017.
Quantas pessoas foram indiciadas pela PF?
Foram indiciados 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass, sendo 15 por atentado contra a segurança do transporte aéreo e um por falsidade ideológica.
Qual foi a causa do acidente segundo a PF?
A PF aponta perda de controle em voo por acúmulo de gelo, inoperância do sistema pneumático de degelo e falta de execução adequada dos procedimentos diante da falha.
O que acontece agora com o inquérito?
O inquérito será analisado pelo MPF, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça contra os indiciados. As penas podem variar de 8 a 24 anos de prisão.
Quem é José Luiz Felício Filho?
Conhecido como comandante Felício, é piloto há mais de 30 anos e assumiu a presidência da Voepass em 2004.