Economia

Petróleo sobe 2% com Irã e EUA longe de acordo em Ormuz

ResumoO petróleo Brent subiu 2% na terça-feira (11) com o recuo nas expectativas de acordo entre Irã e Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz. A postura endurecida de Donald Trump elevou o risco de interrupção no fornecimento global, com analistas apontando viés de alta claro para as cotações.

Petróleo sobe acima de 2% nesta terça-feira (11) com o recuo nas esperanças de acordo entre Irã e EUA para reabrir o Estreito de Ormuz. Trump endurece exigências e analistas veem viés de alta claro.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 11 de agosto de 2026
Petróleo sobe 2% com Irã e EUA longe de acordo em Ormuz

Petróleo sobe enquanto Irã e EUA trocam exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo operam em alta superior a 2% nesta terça-feira (11), conforme as esperanças de um acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz perdem força. O presidente Donald Trump endureceu o tom ao exigir compensação por danos causados por Teerã, o que afastou, ao menos no curto prazo, a perspectiva de normalização da via marítima mais estratégica do setor.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$ 1,96, ou 2,23%, para US$ 89,68 por barril às 5h04 (horário de Brasília). Já os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos avançavam US$ 1,90, ou 2,31%, para US$ 84,03 por barril.

Os dois índices de referência haviam subido mais de 5% na segunda-feira (10), atingindo o maior nível desde 31 de julho. O movimento veio depois que Trump respondeu às condições do Irã para um acordo de paz com exigências próprias: o pagamento de compensações pelas pessoas mortas em guerras, ataques e protestos. A condição, na avaliação de analistas, provavelmente complicará os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz.

O abismo entre as exigências de Irã e EUA

O endurecimento de Trump não se limitou à compensação financeira. Ele também afirmou que os EUA tinham o controle do estreito e haviam vasculhado a estratégica via marítima de petróleo em busca de minas iranianas.

A leitura do mercado é de que as duas partes seguem distantes. Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, resumiu o cenário: "Parece haver um abismo, sem trocadilho, entre os EUA e o Irã sobre como seria, de fato, qualquer acordo".

Para ele, parte do otimismo acumulado na semana passada está sendo desfeito, o que dá aos preços do petróleo um viés de alta bastante claro.

O que isso significa para os preços

Na prática, o mercado precifica agora um cenário de incerteza prolongada. Sem acordo à vista, o risco de interrupção no fluxo de petróleo volta a dominar a formação de preço.

A alta de 2% desta terça-feira reflete exatamente essa leitura: cada sinal de distanciamento entre as partes empurra o barril para cima, enquanto qualquer menção a progresso tende a derrubar as cotações.

Saudi Aramco adia retomada de refinaria após ataques

O cenário de oferta ganhou um novo elemento de tensão. A Saudi Aramco adiou para 30 de agosto a retomada das operações de sua refinaria de Jazan, com capacidade de 400 mil barris por dia. O adiamento ocorre depois que os houthis reivindicaram dois ataques contra a instalação no domingo (9).

O episódio reforça a percepção de que o risco não se limita ao Estreito de Ormuz. O Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, também segue sob ameaça.

Waterer, da KCM Trade, alerta: "O risco de estrangulamento tanto no Estreito de Ormuz quanto em Bab el-Mandeb continua sendo altamente significativo. Mesmo restrições intermitentes ou a ameaça de novos incidentes mantêm os custos de seguro elevados e obrigam à adoção de rotas marítimas mais longas, portanto, é provável que os fluxos de energia permaneçam limitados no curto prazo".

Fluxo pelo Estreito de Ormuz despenca

Os números ajudam a dimensionar o impacto. Analistas do Barclays apontaram que, na semana encerrada em 7 de agosto, as exportações líquidas de petróleo bruto e produtos refinados através do Estreito de Ormuz tiveram média de 3 milhões de barris por dia, ante 4,4 milhões de barris por dia na semana anterior.

A queda no tráfego é ainda mais expressiva. Dados de transporte marítimo mostraram que o número de embarcações atravessando o estreito caiu para seis ontem, frente a uma média de cerca de 11 embarcações nos 10 dias anteriores.

O mercado se adapta, mas a um custo

Apesar do estrangulamento parcial, o petróleo continua a atravessar os dois bloqueios por meio de transferências de navio para navio e rotas alternativas terrestres. A resiliência logística, porém, não elimina o custo extra embutido em seguro, tempo de viagem e risco operacional.

Tony Sycamore, analista da IG, projeta que, supondo que esses fluxos continuem, o mercado provavelmente permanecerá em um estado de distanciamento mórbido, amplamente contido entre US$ 75 e US$ 95.

ADNOC intensifica vendas no mercado à vista

A resposta das estatais de petróleo à crise também chama atenção. A Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) está oferecendo petróleo bruto no mercado à vista por meio de uma licitação, a oitava desde o início de junho.

A estatal petrolífera dos Emirados Árabes Unidos trabalha para retirar petróleo de dentro do Estreito de Ormuz, o que indica que parte da produção regional busca rotas alternativas para escoamento.

O movimento da ADNOC mostra como as empresas do Golfo estão se adaptando ao novo cenário, mas também evidencia a complexidade logística envolvida em desviar fluxos que historicamente dependem do estreito.

O que esperar dos preços no curto prazo

A combinação de exigências divergentes, ataques a infraestrutura e queda no tráfego marítimo aponta para um mercado que deve permanecer volátil.

O intervalo de US$ 75 a US$ 95 citado por Sycamore sugere que, mesmo com o risco elevado, há limites para a alta. A capacidade de adaptação logística e a resposta das estatais como a ADNOC funcionam como amortecedores.

Para o investidor, o cenário exige atenção redobrada aos desdobramentos diplomáticos. Cada declaração de Trump ou do governo iraniano tem potencial para mover o barril em mais de 2% em uma única sessão.

O ciclo sempre vira, mas o timing segue incerto. Enquanto o abismo entre as partes não for superado, o viés de alta para o petróleo deve permanecer no comando.

Perguntas Frequentes

Por que o petróleo subiu mais de 2% nesta terça-feira?

Os preços subiram após as esperanças de um acordo entre Irã e EUA para reabrir o Estreito de Ormuz diminuírem. Trump exigiu compensação por danos causados por Teerã, o que complicou as negociações.

Qual foi a variação do Brent e do WTI?

O Brent subiu US$ 1,96, ou 2,23%, para US$ 89,68 por barril. O WTI avançou US$ 1,90, ou 2,31%, para US$ 84,03 por barril.

O que Trump exigiu do Irã?

Trump respondeu às condições do Irã para um acordo de paz com exigências próprias: o pagamento de compensações pelas pessoas mortas em guerras, ataques e protestos. Ele também afirmou que os EUA controlam o estreito.

Qual o impacto da queda no tráfego pelo Estreito de Ormuz?

O tráfego caiu para seis embarcações, ante média de 11 nos 10 dias anteriores. As exportações líquidas de petróleo pelo estreito caíram de 4,4 milhões para 3 milhões de barris por dia.

O que aconteceu com a refinaria de Jazan da Saudi Aramco?

A Saudi Aramco adiou para 30 de agosto a retomada das operações da refinaria de Jazan, com capacidade de 400 mil barris por dia, após ataques reivindicados pelos houthis no domingo (9).

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