Petróleo sobe 2% com Irã e EUA longe de acordo em Ormuz
Petróleo sobe acima de 2% nesta terça-feira (11) com o recuo nas esperanças de acordo entre Irã e EUA para reabrir o Estreito de Ormuz. Trump endurece exigências e analistas veem viés de alta claro.
Petróleo sobe enquanto Irã e EUA trocam exigências para a reabertura do Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo operam em alta superior a 2% nesta terça-feira (11), conforme as esperanças de um acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz perdem força. O presidente Donald Trump endureceu o tom ao exigir compensação por danos causados por Teerã, o que afastou, ao menos no curto prazo, a perspectiva de normalização da via marítima mais estratégica do setor.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$ 1,96, ou 2,23%, para US$ 89,68 por barril às 5h04 (horário de Brasília). Já os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos avançavam US$ 1,90, ou 2,31%, para US$ 84,03 por barril.
Os dois índices de referência haviam subido mais de 5% na segunda-feira (10), atingindo o maior nível desde 31 de julho. O movimento veio depois que Trump respondeu às condições do Irã para um acordo de paz com exigências próprias: o pagamento de compensações pelas pessoas mortas em guerras, ataques e protestos. A condição, na avaliação de analistas, provavelmente complicará os esforços para reabrir o Estreito de Ormuz.
O abismo entre as exigências de Irã e EUA
O endurecimento de Trump não se limitou à compensação financeira. Ele também afirmou que os EUA tinham o controle do estreito e haviam vasculhado a estratégica via marítima de petróleo em busca de minas iranianas.
A leitura do mercado é de que as duas partes seguem distantes. Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, resumiu o cenário: "Parece haver um abismo, sem trocadilho, entre os EUA e o Irã sobre como seria, de fato, qualquer acordo".
Para ele, parte do otimismo acumulado na semana passada está sendo desfeito, o que dá aos preços do petróleo um viés de alta bastante claro.
O que isso significa para os preços
Na prática, o mercado precifica agora um cenário de incerteza prolongada. Sem acordo à vista, o risco de interrupção no fluxo de petróleo volta a dominar a formação de preço.
A alta de 2% desta terça-feira reflete exatamente essa leitura: cada sinal de distanciamento entre as partes empurra o barril para cima, enquanto qualquer menção a progresso tende a derrubar as cotações.
Saudi Aramco adia retomada de refinaria após ataques
O cenário de oferta ganhou um novo elemento de tensão. A Saudi Aramco adiou para 30 de agosto a retomada das operações de sua refinaria de Jazan, com capacidade de 400 mil barris por dia. O adiamento ocorre depois que os houthis reivindicaram dois ataques contra a instalação no domingo (9).
O episódio reforça a percepção de que o risco não se limita ao Estreito de Ormuz. O Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, também segue sob ameaça.
Waterer, da KCM Trade, alerta: "O risco de estrangulamento tanto no Estreito de Ormuz quanto em Bab el-Mandeb continua sendo altamente significativo. Mesmo restrições intermitentes ou a ameaça de novos incidentes mantêm os custos de seguro elevados e obrigam à adoção de rotas marítimas mais longas, portanto, é provável que os fluxos de energia permaneçam limitados no curto prazo".
Fluxo pelo Estreito de Ormuz despenca
Os números ajudam a dimensionar o impacto. Analistas do Barclays apontaram que, na semana encerrada em 7 de agosto, as exportações líquidas de petróleo bruto e produtos refinados através do Estreito de Ormuz tiveram média de 3 milhões de barris por dia, ante 4,4 milhões de barris por dia na semana anterior.
A queda no tráfego é ainda mais expressiva. Dados de transporte marítimo mostraram que o número de embarcações atravessando o estreito caiu para seis ontem, frente a uma média de cerca de 11 embarcações nos 10 dias anteriores.
O mercado se adapta, mas a um custo
Apesar do estrangulamento parcial, o petróleo continua a atravessar os dois bloqueios por meio de transferências de navio para navio e rotas alternativas terrestres. A resiliência logística, porém, não elimina o custo extra embutido em seguro, tempo de viagem e risco operacional.
Tony Sycamore, analista da IG, projeta que, supondo que esses fluxos continuem, o mercado provavelmente permanecerá em um estado de distanciamento mórbido, amplamente contido entre US$ 75 e US$ 95.
ADNOC intensifica vendas no mercado à vista
A resposta das estatais de petróleo à crise também chama atenção. A Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) está oferecendo petróleo bruto no mercado à vista por meio de uma licitação, a oitava desde o início de junho.
A estatal petrolífera dos Emirados Árabes Unidos trabalha para retirar petróleo de dentro do Estreito de Ormuz, o que indica que parte da produção regional busca rotas alternativas para escoamento.
O movimento da ADNOC mostra como as empresas do Golfo estão se adaptando ao novo cenário, mas também evidencia a complexidade logística envolvida em desviar fluxos que historicamente dependem do estreito.
O que esperar dos preços no curto prazo
A combinação de exigências divergentes, ataques a infraestrutura e queda no tráfego marítimo aponta para um mercado que deve permanecer volátil.
O intervalo de US$ 75 a US$ 95 citado por Sycamore sugere que, mesmo com o risco elevado, há limites para a alta. A capacidade de adaptação logística e a resposta das estatais como a ADNOC funcionam como amortecedores.
Para o investidor, o cenário exige atenção redobrada aos desdobramentos diplomáticos. Cada declaração de Trump ou do governo iraniano tem potencial para mover o barril em mais de 2% em uma única sessão.
O ciclo sempre vira, mas o timing segue incerto. Enquanto o abismo entre as partes não for superado, o viés de alta para o petróleo deve permanecer no comando.
Perguntas Frequentes
Por que o petróleo subiu mais de 2% nesta terça-feira?
Os preços subiram após as esperanças de um acordo entre Irã e EUA para reabrir o Estreito de Ormuz diminuírem. Trump exigiu compensação por danos causados por Teerã, o que complicou as negociações.
Qual foi a variação do Brent e do WTI?
O Brent subiu US$ 1,96, ou 2,23%, para US$ 89,68 por barril. O WTI avançou US$ 1,90, ou 2,31%, para US$ 84,03 por barril.
O que Trump exigiu do Irã?
Trump respondeu às condições do Irã para um acordo de paz com exigências próprias: o pagamento de compensações pelas pessoas mortas em guerras, ataques e protestos. Ele também afirmou que os EUA controlam o estreito.
Qual o impacto da queda no tráfego pelo Estreito de Ormuz?
O tráfego caiu para seis embarcações, ante média de 11 nos 10 dias anteriores. As exportações líquidas de petróleo pelo estreito caíram de 4,4 milhões para 3 milhões de barris por dia.
O que aconteceu com a refinaria de Jazan da Saudi Aramco?
A Saudi Aramco adiou para 30 de agosto a retomada das operações da refinaria de Jazan, com capacidade de 400 mil barris por dia, após ataques reivindicados pelos houthis no domingo (9).