Economia

Petróleo sobe 5º dia com impasse EUA-Irã sobre Ormuz

ResumoO petróleo Brent e o WTI registraram alta pelo quinto pregão consecutivo, com o Brent subindo 1,36% para US$ 88,91 e o WTI ganhando 1,30% para US$ 83,20. O impasse entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz mantém a pressão de oferta, pois o Irã condiciona a reabertura da rota a exigências não atendidas.

Petróleo avança pelo quinto dia consecutivo com impasse entre EUA e Irã sobre o Estreito de Ormuz. Brent sobe 1,36%, a US$ 88,91; WTI ganha 1,30%, a US$ 83,20. Irã impõe condições para reabrir a rota.

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 11 de agosto de 2026
Petróleo sobe 5º dia com impasse EUA-Irã sobre Ormuz

Petróleo avança pelo 5º dia consecutivo com impasse entre EUA e Irã sobre Ormuz

Os preços do petróleo fecharam em forte alta nesta terça-feira (11), pelo quinto dia consecutivo, com a continuação do impasse entre Estados Unidos e Irã para um acordo de reabertura do Estreito de Ormuz. O contrato mais líquido do Brent, referência internacional, para outubro subiu 1,36%, a US$ 88,91 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. O WTI para setembro avançou 1,30%, a US$ 83,20, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

O que sustenta a alta de 5 dias do petróleo?

A quinta sessão consecutiva de ganhos reflete a ausência de um acordo entre Washington e Teerã. Na tarde desta terça-feira, o recém-nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que o Ormuz permanecerá fechado enquanto os Estados Unidos não mudarem seu comportamento e aceitarem as condições do Irã para pôr fim à guerra.

A declaração derruba qualquer expectativa de curto prazo para a reabertura da via marítima, uma das rotas mais críticas para o fluxo global de petróleo. Para analistas do Rabobank, "nenhum dos lados quer recuar e não há incentivo para que qualquer um dos dois recue". A leitura é de um impasse estrutural, não conjuntural.

Mohsen Rezaei endurece discurso e condiciona Ormuz

Rezaei, aliado próximo do líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, foi direto ao ponto. "Enquanto os Estados Unidos não mudarem seu comportamento e não aceitarem as condições do Irã, o Estreito de Ormuz não será aberto", disse, segundo a agência de notícias semioficial Tasnim.

O secretário listou exigências que vão além da questão energética. "Os Estados Unidos devem pôr fim à guerra, devolver os ativos congelados do Irã; a guerra deve terminar em toda a região, incluindo no Líbano e em Gaza." A fala amplia o escopo do conflito e reduz a probabilidade de um desfecho rápido.

Ele também fez uma ressalva: "Se for alcançado um acordo entre o Irã e Omã a respeito da rota de trânsito pelo Estreito de Ormuz, esse acordo será uma questão separada do fechamento do Estreito de Ormuz." Ou seja, a reabertura não está automaticamente ligada a um eventual pacto bilateral com Omã.

Paquistão e Catar veem janela de negociação, mas com cautela

Nem todo o cenário é de ruptura. Mais cedo, o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, disse a repórteres que "as coisas estão se encaminhando novamente a favor de um acordo de paz" entre Washington e Teerã, segundo a Bloomberg. A declaração trouxe algum alívio, mas não suficiente para interromper a sequência de altas.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed Al-Ansari, afirmou que as negociações entre Irã e Omã sobre a abertura da via marítima estavam em um "momento crítico". A avaliação catari reforça a percepção de que o processo está em curso, mas ainda sem definição.

Rabobank: por que ninguém recua no impasse de Ormuz

A análise do Rabobank sintetiza o dilema. Se um lado ceder, perde credibilidade no cenário doméstico e internacional. Se o outro recuar, abre precedente para futuras pressões. O resultado é um equilíbrio instável que mantém o prêmio de risco embutido no preço do barril.

Para o mercado, o fechamento prolongado de Ormuz significa menos oferta disponível em um momento de demanda ainda resiliente. A alta de cinco dias reflete exatamente essa percepção de escassez iminente, não apenas um movimento técnico.

O que esperar dos preços do Brent e do WTI?

O Brent em US$ 88,91 e o WTI em US$ 83,20 podem não ser o teto se o impasse persistir. A continuidade das declarações duras de Teerã, como a de Rezaei, tende a pressionar os preços para cima. Por outro lado, qualquer sinal concreto de acordo, como o mencionado pelo Paquistão, pode provocar correção rápida.

O mercado segue refém da retórica. Cada declaração de autoridades iranianas ou norte-americanas tem potencial de mover o barril em mais de 1%, como visto nesta terça-feira. O investidor precisa monitorar não apenas os preços, mas o tom das negociações.

Impacto geopolítico e a rota de Ormuz no radar

O Estreito de Ormuz é uma das passagens mais sensíveis do mundo para o petróleo. Qualquer interrupção prolongada afeta cadeias globais de suprimento e eleva custos de frete e seguro. A fala de Rezaei sobre condições separadas para o acordo com Omã adiciona uma camada extra de complexidade.

A posição do Catar, mediador histórico na região, indica que ainda há espaço para diálogo. Mas o "momento crítico" citado por Al-Ansari sugere que a janela pode se fechar sem um avanço concreto. O impasse, portanto, permanece o cenário base.

Perguntas Frequentes

O que fez o petróleo subir pelo quinto dia?

A continuação do impasse entre EUA e Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. O Irã mantém o canal fechado enquanto os EUA não aceitarem suas condições.

Qual foi a cotação do Brent e do WTI nesta terça-feira?

O Brent para outubro subiu 1,36%, a US$ 88,91, na ICE. O WTI para setembro avançou 1,30%, a US$ 83,20, na Nymex.

O que o Irã exige para reabrir Ormuz?

Segundo Mohsen Rezaei, os EUA devem mudar de comportamento, pôr fim à guerra, devolver ativos congelados e encerrar conflitos no Líbano e em Gaza.

Há chance de acordo entre EUA e Irã?

O Paquistão vê sinais de avanço, mas o Catar classifica as negociações como em "momento crítico". O Rabobank avalia que nenhum lado quer recuar.

Como o impasse afeta os preços do petróleo?

O fechamento de Ormuz reduz a oferta global e mantém o prêmio de risco elevado, sustentando a alta consecutiva dos contratos futuros.

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