Selic pode cair menos que o mercado espera? Veja obstáculos
Thiago Salomão, fundador do Market Makers, avalia que a Selic pode cair menos do que o mercado espera. Inflação distante da meta, preços de energia e petróleo e o risco fiscal limitam o espaço para cortes mais profundos, mesmo com a comunicação do Banco Central.
Juros podem cair menos do que o mercado espera? Market Makers aponta os obstáculos para queda maior da Selic
O cenário para a política monetária brasileira segue pressionado. A inflação permanece distante do nível confortável, e o espaço para uma queda relevante dos juros é pequeno. A avaliação é de Thiago Salomão, fundador do Market Makers, em entrevista ao Giro do Mercado, nesta terça-feira (11). Para ele, é preciso uma desaceleração maior dos preços antes de uma nova rodada de cortes na Selic.
A resposta direta: salomão vê a necessidade de queda mais forte da inflação para novos cortes. Ele destaca preços de energia, petróleo e a situação fiscal como pontos de atenção. Mesmo com melhora inflacionária, as condições fiscais limitam uma redução mais significativa da taxa básica. O Banco Central deixou em aberto os critérios para as próximas reuniões.
Inflação distante da meta: o que segura a Selic
Segundo Salomão, o patamar atual da inflação está alinhado com o tom adotado pelo Banco Central na ata do Copom. Ele afirma que "para criar uma expectativa de outros cortes de juros, ainda precisamos esperar uma queda ainda maior da inflação". Ou seja, a leitura é de que os preços ainda não dão margem para um afrouxamento mais agressivo.
Os números oficiais reforçam o ambiente. O Banco Central fixou a Selic meta em 14,00% nas sessões de 11 a 16 de setembro de 2026. Esse patamar elevado reflete a cautela da autoridade monetária diante de um cenário inflacionário que não cede no ritmo desejado.
O número conta a história: com a taxa básica em dois dígitos, o custo do crédito permanece alto, e o consumo segue contido. Para Salomão, a inflação precisa mostrar uma desaceleração consistente antes que o Copom considere novos cortes.
Os três vilões do cenário inflacionário
Salomão elencou os principais pontos de atenção para a inflação. O primeiro são os preços de energia. O segundo, o petróleo. O terceiro, a situação fiscal brasileira. Esses três fatores, combinados, criam um ambiente de incerteza que limita a ação do Banco Central.
- Energia: variações nos preços impactam diretamente a inflação ao consumidor.
- Petróleo: influencia combustíveis e custos de transporte.
- Fiscal: o risco de descontrole das contas públicas pressiona as expectativas.
Mesmo que a inflação mostre melhora, Salomão ressalta que as condições fiscais ainda limitam o espaço para uma redução mais significativa da taxa básica. Em outras palavras, o problema não é apenas o índice atual, mas a trajetória futura das contas públicas.
O que o Banco Central sinalizou na ata do Copom
A comunicação recente do Banco Central, na avaliação de Salomão, está adequada. Ela sinaliza uma postura mais dependente dos dados, especialmente em um contexto marcado pelas eleições. O fundador do Market Makers entende que a autoridade monetária deixou aberta a possibilidade de mais um corte, mas a redução não deve ser muito significativa.
Ele ressalta que o cenário ainda é incerto, uma vez que "o BC deixou em aberto o que eles devem levar em consideração para as próximas reuniões". Essa abertura, na visão do analista, é proposital: dá flexibilidade para reagir aos dados que vierem, sem se comprometer com um caminho fixo.
A postura do BC, segundo Salomão, tem "acertado" ao controlar a expectativa do mercado. A estratégia é usar dados como base para as decisões, evitando surpresas e ancorando as projeções dos agentes financeiros.
Pressão política e o papel de Lula
Salomão destacou que declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa de juros menores podem aumentar a pressão política sobre a política monetária. Esse tipo de fala, embora não altere diretamente a decisão do Copom, cria ruído e pode influenciar as expectativas do mercado.
O analista avalia que o BC tem conseguido manter uma postura técnica, mesmo com esse ambiente. A comunicação clara e baseada em dados ajuda a reduzir a incerteza, mas a pressão política permanece como um fator de risco.
JP Morgan e a visão sobre ações brasileiras
Salomão também comentou o rebaixamento do JP Morgan sobre as ações brasileiras. Na perspectiva dele, a mudança não foi uma novidade para o mercado. O banco considera um cenário de juros elevados por um período prolongado, o que já estava precificado em boa medida.
O rebaixamento reflete, portanto, uma leitura de que a Selic deve permanecer alta por mais tempo. Isso afeta a atratividade das ações brasileiras, especialmente em setores sensíveis ao custo do capital.
O desafio da continuidade da política econômica
Para Salomão, um dos maiores desafios para a economia brasileira está na possibilidade de continuidade da atual condução da política econômica. Manter os juros em níveis mais baixos dependeria de uma continuidade política que ele considera improvável.
"Mesmo que o governo atual vença a eleição, ele vai ter que mudar a forma de conduzir a economia. Do contrário, teremos um risco fiscal", afirmou. Essa declaração resume a visão do analista: sem uma mudança na condução econômica, o risco fiscal permanece e impede cortes mais profundos na Selic.
O número conta a história: com a Selic em 14,00%, o custo de carregar a dívida pública é alto. Qualquer espaço para queda dependerá de um ajuste fiscal crível, algo que Salomão vê como improvável no cenário atual.
O que esperar das próximas reuniões do Copom
O cenário para os próximos encontros do Copom segue em aberto. Salomão aponta que a inflação precisa cair mais para justificar novos cortes. Os preços de energia e petróleo, além do fiscal, serão determinantes. A comunicação do BC, dependente de dados, dá pistas, mas não compromissos.
O mercado, por sua vez, deve continuar atento aos indicadores de inflação e às notícias fiscais. Qualquer sinal de melhora nos preços, combinado com um ajuste nas contas públicas, poderia abrir espaço para uma redução maior. Mas, na visão do Market Makers, isso ainda parece distante.
Perguntas Frequentes
A Selic vai cair nas próximas reuniões?
Segundo Thiago Salomão, do Market Makers, o Banco Central deixou aberta a possibilidade de mais um corte, mas a redução não deve ser muito significativa. A inflação precisa desacelerar mais primeiro.
O que impede uma queda maior dos juros?
Os principais obstáculos são a inflação ainda distante da meta, os preços de energia e petróleo, e a situação fiscal brasileira. Mesmo com melhora inflacionária, o fiscal limita o espaço para cortes mais profundos.
Como o risco fiscal afeta a Selic?
O risco fiscal pressiona as expectativas de inflação e aumenta o prêmio de risco. Isso dificulta a atuação do Banco Central e reduz o espaço para cortes na taxa básica de juros.
O que o JP Morgan fez com as ações brasileiras?
O JP Morgan rebaixou as ações brasileiras, mas, segundo Salomão, isso não foi novidade. O banco considera um cenário de juros elevados por um período prolongado.
A pressão política pode influenciar o Copom?
Declarações do presidente Lula em defesa de juros menores podem aumentar a pressão política. No entanto, o Banco Central tem mantido uma postura técnica, usando dados como base para as decisões.
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