Economia

Inflação recua a 0,07% em julho e volta à meta do governo

ResumoO IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou inflação de 0,07% em julho, quarto recuo mensal consecutivo, influenciado pela queda dos preços de alimentos. O índice acumulado em 12 meses atingiu 4,44%, retornando ao intervalo da meta do governo após dois meses acima do teto. A desaceleração confirma a tendência de arrefecimento dos preços no período.

A inflação oficial perdeu força pelo quarto mês seguido e fechou julho em 0,07%, puxada pela queda dos alimentos. O IPCA acumula 4,44% em 12 meses, dentro da meta do governo, após dois meses acima do teto.

Lia Hartmann
Lia Hartmann Especialista em renda fixa · 11 de agosto de 2026
Inflação recua a 0,07% em julho e volta à meta do governo

Inflação recua para 0,07% em julho e volta para meta do governo

A inflação oficial perdeu força pelo quarto mês seguido e fechou julho em 0,07%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio em linha com a estimativa do boletim Focus, sondagem do Banco Central (BC) com instituições econômicas, que projetava exatamente esse percentual para o mês. Com isso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 4,44% em 12 meses, voltando para o intervalo da meta do governo.

O que significa a volta para a meta?

A meta de inflação perseguida pelo BC é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Na prática, o IPCA pode oscilar entre 1,5% e 4,5% sem que o governo considere descumprida a meta. O acumulado de 4,44% em julho, portanto, voltou a caber nesse intervalo, depois de dois meses consecutivos acima do teto.

Em abril, o acumulado estava em 4,39%, ainda dentro da margem. Mas o índice extrapolou o limite máximo em maio (4,72%) e junho (4,64%). Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta passou a ser os 12 meses imediatamente anteriores, e não apenas o resultado fechado em dezembro. A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

O papel dos alimentos na desaceleração

O grupo alimentação e bebidas, o de maior peso na cesta de compras das famílias, apresentou deflação pelo segundo mês consecutivo. Em julho, o recuo foi de 0,67%, depois de uma queda de 0,24% em junho. A alimentação no domicílio ficou 1,14% mais barata, puxada pela forte queda do subgrupo tubérculos, raízes e legumes, que caiu 16,15%.

O analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, atribui o alívio a uma maior oferta de produtos, beneficiada por condições climáticas. "O clima ficou mais favorável", afirma. O café também contribuiu: a queda em 12 meses foi de 17,2%, a maior desde o início do plano Real, em 1994.

Energia elétrica e transportes: os contrapontos

Nem tudo caiu. A energia elétrica ficou 3,09% mais cara em julho, exercendo o principal impacto individual de alta no mês, com 0,13 ponto percentual. Segundo o IBGE, a explicação está em reajustes aplicados em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Como o IPCA é um índice nacional, comportamentos específicos em regiões pesquisadas são refletidos na média final.

Há, porém, um alívio previsto para agosto. Fernando Gonçalves lembra que os consumidores receberão o desconto na fatura de energia conhecido como Bônus Itaipu, já aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O efeito deve aparecer na próxima leitura do índice.

No grupo transportes, as passagens aéreas se destacaram como o maior aumento, com alta de 11,67%. Já os combustíveis ficaram 1,44% mais baratos, com recuo do etanol (-2,26%), da gasolina (-1,37%), do óleo diesel (-1,22%) e do gás veicular (-0,08%).

Difusão e expectativas para o fim de 2026

O índice de difusão, que mede o quanto a inflação está espalhada, ficou em 50% em julho. Isso significa que metade dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram aumento de preço. É um sinal de que a desaceleração ainda é concentrada em alguns grupos, como alimentos, enquanto outros seguem pressionados.

Para o fim de 2026, o boletim Focus projeta IPCA em 5,02%, acima do centro da meta. O resultado de julho, porém, é o menor desde agosto de 2025, quando o índice marcou 0,11%. Considerando apenas os meses de julho, o desempenho do mês passado é o menor desde 2022, quando houve deflação de 0,68%.

O que o IPCA mede e onde são coletados os preços

O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. São coletados preços de 377 subitens, entre produtos e serviços. A coleta abrange dez regiões metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além de Brasília e das capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.

Para o investidor, a leitura é direta: a volta para a meta reduz a pressão sobre o Banco Central para elevar os juros, mas o mercado ainda espera inflação acima do centro no fim do ano. O juro composto não perdoa, e quem aplica em renda fixa precisa acompanhar se a desaceleração se sustenta ou se é apenas um alívio sazonal.

Perguntas Frequentes

O que é o IPCA?

O IPCA é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, calculado pelo IBGE. Ele mede a variação dos preços de uma cesta de produtos e serviços para famílias com renda de um a 40 salários mínimos.

Qual foi a inflação de julho de 2026?

O IPCA de julho variou 0,07%, o menor resultado desde agosto de 2025. No acumulado de 12 meses, chegou a 4,44%.

A inflação voltou para a meta do governo?

Sim. O acumulado de 4,44% está dentro do intervalo de tolerância da meta, que vai de 1,5% a 4,5%. Em maio e junho, o índice havia ficado acima do teto.

Por que os alimentos ficaram mais baratos?

Houve maior oferta de produtos, beneficiada por condições climáticas favoráveis. O grupo alimentação e bebidas teve deflação de 0,67% em julho.

O que é o Bônus Itaipu?

É um desconto na fatura de energia elétrica, aprovado pela Aneel, que deve ser aplicado em agosto. Segundo o IBGE, o efeito deve trazer alívio no próximo índice.

O que o mercado espera para a inflação em 2026?

O boletim Focus projeta IPCA em 5,02% para o fim de 2026, acima do centro da meta de 3%.

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