Economia

Índia pode restringir cana para etanol; açúcar em alta

ResumoA Índia avalia restringir o uso de cana-de-açúcar para etanol na safra de outubro de 2024. A medida busca ampliar a oferta doméstica de açúcar e conter preços recordes. A restrição potencial afeta diretamente o mercado global de açúcar, com impacto nos preços internacionais e na produção de etanol indiano.

A Índia avalia restringir o uso de cana-de-açúcar na produção de etanol na safra que começa em outubro, para ampliar a oferta de açúcar e conter preços recordes. Entenda os impactos.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 10 de agosto de 2026
Índia pode restringir cana para etanol; açúcar em alta

Índia pode restringir cana para etanol e priorizar açúcar com preços em recorde

A Índia está considerando restringir a quantidade de cana-de-açúcar destinada à produção de etanol na safra que começa em outubro. O objetivo é ampliar a produção de açúcar e tentar acalmar os preços recordes no país, segundo fontes do governo e do setor.

A redução das chuvas em Maharashtra e Karnataka, os maiores Estados produtores de cana-de-açúcar da Índia, gerou preocupações sobre a produção de açúcar no próximo ano. As fontes, que preferiram não se identificar porque as deliberações não são públicas, afirmaram que priorizar o abastecimento de açúcar em detrimento do etanol poderia ajudar a Índia a evitar importações.

Uma decisão sobre o assunto pode ser tomada até o final do próximo mês.

O que mudou: chuvas fracas e preços em alta

A notícia chega em um momento em que os preços do açúcar na Índia subiram cerca de 10% no último mês, atingindo um recorde histórico. Segundo informações divulgadas na semana passada, os valores devem permanecer elevados por pelo menos os próximos três meses, à medida que a oferta se torna mais escassa e a demanda da temporada de festivais indianos, quando as pessoas viajam mais, ganha força.

A quebra esperada na produção por causa das chuvas fracas nos principais Estados produtores é o pano de fundo para a possível mudança de política.

Quanto açúcar está em jogo

As usinas desviaram cerca de 3 milhões de toneladas métricas de açúcar, ou aproximadamente 10% da produção total, para a produção de etanol durante o ano corrente, até o final de setembro.

Restringir essa prática na próxima safra poderia adicionar um volume semelhante ao abastecimento doméstico de açúcar. Isso compensaria a queda esperada na produção devido às chuvas fracas, disseram as fontes.

O que o governo pode fazer

Para manter em andamento o programa de mistura de 20% de etanol na gasolina, o governo precisaria aumentar o uso de milho e arroz na produção de etanol. Os estoques desses grãos são abundantes, o que dá margem para a compensação.

Fontes com conhecimento direto do assunto afirmaram que as usinas seriam solicitadas a interromper a produção de etanol a partir do caldo de cana e do melaço B, um subproduto com teor relativamente alto de açúcar.

Em vez disso, as usinas teriam permissão para produzir etanol principalmente a partir do melaço C, um subproduto que resta após a extração da maior parte do açúcar.

Impacto para a indústria açucareira

A alocação de etanol para a indústria açucareira na safra que começa em novembro deverá ser finalizada antes do início da temporada. Depois disso, os revendedores estatais de combustíveis abrirão licitações para a compra de etanol.

Vale notar que Nova Délhi já proibiu as exportações de açúcar e, no mês passado, impôs limites aos estoques que os comerciantes podem manter.

É improvável que as novas restrições em análise prejudiquem significativamente a indústria açucareira. Espera-se que as usinas obtenham mais lucros com a produção e venda de açúcar do que com o desvio da cana-de-açúcar para a produção de etanol, afirmaram autoridades do setor.

O que isso significa para o mercado global

A Índia é um dos maiores produtores mundiais de açúcar, e qualquer mudança em sua política de oferta tende a repercutir nos preços internacionais. A decisão de priorizar o açúcar doméstico, evitando importações, pode reduzir a pressão sobre a oferta global, mas também sinaliza que os preços elevados devem persistir no curto prazo.

O ciclo sempre vira: a eventual normalização das chuvas nos próximos anos pode reverter o quadro, mas, por ora, o mercado observa com atenção os próximos passos do governo indiano.

Perguntas Frequentes

A Índia vai proibir a produção de etanol de cana?

Não exatamente. A Índia estuda restringir a quantidade de cana usada para etanol, priorizando a produção de açúcar. As usinas seriam orientadas a produzir etanol principalmente a partir do melaço C, um subproduto com menos açúcar.

Quando a decisão deve ser anunciada?

Segundo fontes do governo e do setor, uma decisão sobre o assunto pode ser tomada até o final do próximo mês.

Por que os preços do açúcar subiram na Índia?

Os preços subiram cerca de 10% no último mês, atingindo um recorde, por causa da oferta mais escassa e da demanda da temporada de festivais. A redução das chuvas em Maharashtra e Karnataka também preocupa.

O que a Índia já fez para controlar os preços?

Nova Délhi já proibiu as exportações de açúcar e, no mês passado, impôs limites aos estoques que os comerciantes podem manter.

Como o programa de etanol será mantido?

O governo precisaria aumentar o uso de milho e arroz na produção de etanol para compensar a redução da cana. Os estoques desses grãos são abundantes, segundo as fontes.

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