EUA: domínio no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado
Em vídeo divulgado nesta terça-feira, 11, o Departamento de Estado dos EUA cita Trump como 'mais recente defensor' da Doutrina Monroe e afirma que o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado.
EUA dizem que 'domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado'
O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou um vídeo nesta terça-feira, 11, no qual cita o presidente americano, Donald Trump, como o "mais recente defensor" da Doutrina Monroe. No material, a pasta afirma que "o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado".
O que diz o vídeo do Departamento de Estado
O vídeo, com pouco mais de 5 minutos, é apresentado pelo embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera. Ele explica a origem da Doutrina Monroe, diretriz de política externa criada pelo ex-presidente americano James Monroe em 1823. A doutrina estabelecia a separação entre as esferas de influência europeia e americana e defendia a não colonização e a não intervenção.
"Os EUA, ainda uma jovem nação de fronteira, posicionaram-se como a principal potência do Novo Mundo e estabeleceram as bases para séculos de política externa americana no hemisfério", disse Cabrera no vídeo. "Essa declaração transformou o papel e a posição dos EUA na ordem global."
Doutrina Monroe: do escudo ao mandato
Com o passar dos anos, a diretriz passou a ser interpretada como justificativa para a intervenção nos assuntos de outros países do Hemisfério Ocidental. Em 1904, o presidente americano Theodore Roosevelt alterou a Doutrina Monroe por meio do chamado "Corolário Roosevelt", segundo o qual Washington poderia intervir em países latino-americanos para garantir a ordem e impedir a intervenção de potências europeias.
"Roosevelt interveio e declarou que, se uma nação latino-americana entrasse em caos ou instabilidade, os EUA interviriam e assumiriam sua administração. A doutrina havia começado como um escudo. Roosevelt acabara de transformá-la em um mandato", afirmou Cabrera.
A ponte com a atualidade
Ao longo do vídeo, o embaixador faz uma ponte entre o período em que a diretriz foi criada e a atualidade. Ele cita momentos em que a doutrina foi invocada, como a retirada da Espanha de Cuba e a tomada de Porto Rico. Cabrera afirmou que a doutrina foi utilizada por vários ex-presidentes, como John Kennedy e Ronald Reagan.
Para Cabrera, na era moderna, Trump é o "mais recente defensor" da doutrina. Ele cita a Operação Absolute Resolve, que resultou na captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, atualmente detido nos EUA, onde responde por acusações de narcoterrorismo. O embaixador afirmou que a "manobra calculada transmitiu um sinal contundente por todo o hemisfério".
A fala de Trump e a nova estratégia
Na sequência, uma fala de Trump é exibida: "De acordo com nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado."
"O que começou como um alerta às potências europeias evoluiu para uma estrutura de domínio regional, que continua sendo a pedra angular da estratégia americana no hemisfério atualmente", concluiu Cabrera.
No fim do ano passado, o governo americano divulgou a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA e afirmou que o país buscaria "reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental", com uma "retomada poderosa" do poder sobre a região.
O que isso significa para a política externa
A declaração reforça o tom da administração atual em relação à América Latina. A referência explícita à Doutrina Monroe, uma diretriz de dois séculos, sinaliza uma intenção de retomar uma postura de hegemonia regional. O vídeo do Departamento de Estado não deixa margem para interpretações: o objetivo declarado é o domínio americano no hemisfério.
A menção à Operação Absolute Resolve e à captura de Nicolás Maduro é o exemplo concreto citado pelo embaixador para demonstrar como essa doutrina estaria sendo aplicada na prática. A prisão do líder venezuelano, que responde por narcoterrorismo nos EUA, é apresentada como um marco dessa estratégia.
Reações e desdobramentos possíveis
A publicação do vídeo ocorre em um momento de tensão nas relações hemisféricas. A afirmação de que o domínio americano "nunca mais será questionado" pode gerar reações de países da região, especialmente aqueles com governos de orientação mais crítica aos EUA. A nova Estratégia de Segurança Nacional, divulgada no fim do ano passado, já havia sinalizado essa direção.
Para analistas de relações internacionais, a retomada explícita da Doutrina Monroe representa uma mudança de tom em relação a décadas de política externa americana, que em alguns períodos buscou uma abordagem mais multilateral. O vídeo, no entanto, deixa claro que a administração atual prefere uma linguagem de poder direta.
Perguntas Frequentes
O que é a Doutrina Monroe?
A Doutrina Monroe é uma diretriz de política externa criada em 1823 pelo ex-presidente americano James Monroe. Ela estabelecia a separação entre as esferas de influência europeia e americana e defendia a não colonização e a não intervenção no Hemisfério Ocidental.
Quem é Kevin Marino Cabrera?
Kevin Marino Cabrera é o embaixador dos EUA no Panamá. Ele apresenta o vídeo do Departamento de Estado sobre a Doutrina Monroe e explica sua origem e aplicação histórica.
O que foi o Corolário Roosevelt?
Em 1904, o presidente Theodore Roosevelt alterou a Doutrina Monroe, permitindo que Washington interviesse em países latino-americanos para garantir a ordem e impedir a intervenção de potências europeias.
O que é a Operação Absolute Resolve?
É a operação citada pelo embaixador Kevin Marino Cabrera que resultou na captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, atualmente detido nos EUA, onde responde por acusações de narcoterrorismo.
Quando a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA foi divulgada?
No fim do ano passado, o governo americano divulgou a nova Estratégia de Segurança Nacional, afirmando que buscaria "reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental".