Economia

Doutrina Monroe: EUA resgatam domínio sob Trump

ResumoA Doutrina Monroe, diretriz de 1823 que separa as esferas de influência europeia e americana, foi resgatada pelo governo de Donald Trump como base da estratégia de segurança nacional dos EUA. O Departamento de Estado americano, em vídeo publicado em 11 de junho, cita Trump como o mais recente defensor dessa política. A medida reafirma o domínio dos EUA sobre o continente americano.

Em vídeo publicado nesta terça-feira (11), o Departamento de Estado dos EUA cita Donald Trump como o 'mais recente defensor' da Doutrina Monroe. A diretriz de 1823, que separava as esferas de influência europeia e americana, volta ao centro da estratégia de segurança nacional. En

Caetano Vidal
Caetano Vidal Analista de criptoativos · 11 de agosto de 2026
Doutrina Monroe: EUA resgatam domínio sob Trump

O Departamento de Estado dos Estados Unidos publicou, nesta terça-feira (11), um vídeo que recoloca a Doutrina Monroe no centro da política externa americana. Na gravação, o governo cita o presidente Donald Trump como o "mais recente defensor" da diretriz e afirma que "o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado". A declaração, atribuída a Trump, aparece em meio a uma fala do embaixador dos EUA no Panamá, Kevin Marino Cabrera, que apresenta o material.

O vídeo, com pouco mais de 5 minutos, é apresentado por Cabrera. Ele explica a origem da Doutrina Monroe, criada pelo ex-presidente americano James Monroe em 1823. A diretriz estabelecia a separação entre as esferas de influência europeia e americana e defendia a não colonização e a não intervenção. "Os EUA, ainda uma jovem nação de fronteira, posicionaram-se como a principal potência do Novo Mundo e estabeleceram as bases para séculos de política externa americana no hemisfério", disse Cabrera. "Essa declaração transformou o papel e a posição dos EUA na ordem global."

A doutrina, porém, não permaneceu intacta. Com o passar dos anos, passou a ser interpretada como justificativa para intervenção nos assuntos de outros países do Hemisfério Ocidental. Em 1904, o presidente Theodore Roosevelt alterou a diretriz por meio do chamado "Corolário Roosevelt". Segundo esse corolário, Washington poderia intervir em países latino-americanos para garantir a ordem e impedir a intervenção de potências europeias.

"Roosevelt interveio e declarou que, se uma nação latino-americana entrasse em caos ou instabilidade, os EUA interviriam e assumiriam sua administração", afirmou Cabrera. "A doutrina havia começado como um escudo. Roosevelt acabara de transformá-la em um mandato."

Da criação ao resgate: a ponte histórica

O embaixador faz uma ponte entre o período de criação da diretriz e a atualidade. Ele cita momentos em que a doutrina foi invocada, como a retirada da Espanha de Cuba e a tomada de Porto Rico. Também afirma que a diretriz foi utilizada por vários ex-presidentes, como John Kennedy e Ronald Reagan.

Essa linha do tempo serve para contextualizar o que vem a seguir: a reivindicação de Trump como herdeiro dessa tradição. Para Cabrera, na era moderna, Trump é o "mais recente defensor" da doutrina. A base dessa afirmação é a Operação Absolute Resolve, que resultou na captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, atualmente detido nos EUA, onde responde por acusações de narcoterrorismo.

A Operação Absolute Resolve e o sinal ao hemisfério

A menção à operação não é casual. O embaixador afirmou que a "manobra calculada transmitiu um sinal contundente por todo o hemisfério". A captura de Maduro, um líder que governava a Venezuela até ser detido, é apresentada como exemplo prático da aplicação da doutrina na era contemporânea.

Na sequência, uma fala de Trump é exibida no vídeo: "De acordo com nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado." A frase, atribuída ao presidente, sintetiza o tom do material.

"O que começou como um alerta às potências europeias evoluiu para uma estrutura de domínio regional, que continua sendo a pedra angular da estratégia americana no hemisfério atualmente", concluiu Cabrera.

A Estratégia de Segurança Nacional e a Doutrina Monroe

O vídeo não surge no vácuo. No fim do ano passado, o governo americano divulgou a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA. O documento afirma que o país buscaria "reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental", com uma "retomada poderosa" do poder sobre a região.

A linguagem é explícita. Não se trata de uma referência simbólica ou histórica, mas de uma diretriz operacional. A doutrina, criada em 1823 para separar as esferas de influência europeia e americana, agora é formalmente incorporada à estratégia de segurança nacional do país.

O que isso significa na prática

Para analistas de política externa, o resgate da Doutrina Monroe sinaliza uma postura mais assertiva dos EUA em relação ao seu entorno geográfico. A diretriz, que já foi usada para justificar intervenções no século XX, retorna como referência explícita em documentos oficiais.

A escolha de um embaixador no Panamá para apresentar o vídeo também tem peso simbólico. O Panamá, país da América Central, foi palco de intervenções americanas ao longo do século XX, incluindo a invasão de 1989 para capturar Manuel Noriega. A localização geográfica e a história do país tornam a escolha do apresentador relevante, embora o vídeo não faça menção direta a esse episódio.

Ceticismo técnico: o que falta no discurso

A narrativa oficial é clara, mas levanta perguntas. A primeira delas: o que significa, na prática, "domínio nunca mais será questionado"? O vídeo não detalha mecanismos, sanções ou planos de ação específicos. A Operação Absolute Resolve é citada como exemplo, mas não há informações sobre custos, baixas ou consequências diplomáticas.

A segunda questão é a recepção regional. O vídeo não menciona reações de países latino-americanos à nova postura. A doutrina, historicamente, foi alvo de críticas na região, onde é vista como justificativa para intervencionismo. A ausência dessa perspectiva no material oficial é uma lacuna relevante para quem busca entender o impacto real da medida.

A terceira pergunta envolve a continuidade. A Doutrina Monroe foi invocada por presidentes de diferentes partidos ao longo da história. A novidade agora é a explicitação em um documento de segurança nacional, com uma linguagem que remete ao século XIX. Resta saber se essa retórica se traduzirá em ações concretas no médio prazo.

Contexto histórico: de 1823 ao Corolário Roosevelt

A Doutrina Monroe nasceu em 1823, sob James Monroe. A diretriz estabelecia que as potências europeias não deveriam colonizar ou intervir nas Américas. Em troca, os EUA não interfeririam em assuntos internos europeus. Era, na origem, um alerta às potências europeias.

O Corolário Roosevelt, de 1904, mudou o jogo. Theodore Roosevelt declarou que os EUA poderiam intervir em países latino-americanos para garantir a ordem. Essa reinterpretação transformou a doutrina em um mandato de intervenção, como destacou Cabrera no vídeo.

A retirada da Espanha de Cuba e a tomada de Porto Rico, citadas pelo embaixador, são exemplos históricos de aplicação da doutrina. John Kennedy e Ronald Reagan, também mencionados, usaram a diretriz em contextos diferentes, da Guerra Fria à América Central.

O papel de Trump na nova narrativa

Trump é apresentado como o herdeiro mais recente dessa tradição. A Operação Absolute Resolve, que capturou Nicolás Maduro, é o principal exemplo citado. O ditador venezuelano está detido nos EUA, onde responde por acusações de narcoterrorismo.

A fala de Trump no vídeo, sobre o domínio americano nunca mais ser questionado, é a peça central da narrativa. Ela conecta a doutrina histórica à estratégia atual de segurança nacional. Para o governo, a mensagem é de que os EUA retomam uma postura de predominância regional.

Perguntas Frequentes

O que é a Doutrina Monroe?

A Doutrina Monroe é uma diretriz de política externa criada pelo ex-presidente americano James Monroe em 1823. Ela estabelecia a separação entre as esferas de influência europeia e americana e defendia a não colonização e a não intervenção.

Quem é Kevin Marino Cabrera?

Kevin Marino Cabrera é o embaixador dos EUA no Panamá. Ele apresenta o vídeo do Departamento de Estado que resgata a Doutrina Monroe e cita Trump como o "mais recente defensor" da diretriz.

O que foi a Operação Absolute Resolve?

A Operação Absolute Resolve resultou na captura do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, atualmente detido nos EUA. Ele responde por acusações de narcoterrorismo.

O que é o Corolário Roosevelt?

O Corolário Roosevelt foi uma alteração da Doutrina Monroe feita pelo presidente Theodore Roosevelt em 1904. Segundo ele, Washington poderia intervir em países latino-americanos para garantir a ordem e impedir a intervenção de potências europeias.

O que diz a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA?

A nova Estratégia de Segurança Nacional afirma que o país buscaria "reafirmar e aplicar a Doutrina Monroe para restaurar a predominância americana no Hemisfério Ocidental", com uma "retomada poderosa" do poder sobre a região.

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