Fed: Hammack 'não sabe' até onde juros subiriam nos EUA
Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, afirmou que 'não sabe' até que ponto o banco central teria que elevar os juros nos EUA se retomar o aperto monetário. Em entrevista ao Yahoo! Finance, ela defendeu ação imediata para evitar dificuldades em trazer a inflação de volta à
Dirigente diz que 'não sabe' até que ponto o Fed teria que elevar os juros nos EUA
A presidente do Federal Reserve (Fed) de Cleveland, Beth Hammack, afirmou que "não sabe" até que ponto o banco central norte-americano teria que elevar as taxas de juros se retomar o aperto monetário. A declaração foi dada em entrevista ao Yahoo! Finance. Segundo ela, os dirigentes precisam agir agora para evitar dificuldades em retornar a inflação para a meta.
Por que Hammack defende agir agora?
Hammack argumentou que não vê a política monetária significativamente restritiva diante das pressões inflacionárias amplas. Essas pressões vêm de múltiplos choques econômicos, como tarifas, guerras, custos de seguros, preços de energia e investimentos em inteligência artificial (IA). "Uma única alta de juros de 25 pontos-base pode não fazer o suficiente pela economia", disse.
A dirigente afirmou que este é o motivo de ter discordado da última decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). Usando metáforas, Hammack sinalizou que prefere aumentar os juros e "frear" a inflação "suavemente", em vez de fazê-lo de modo agressivo.
Mercado de trabalho: estabilidade suficiente para focar na inflação
O mercado de trabalho esteve dentro das estimativas de pleno emprego nos últimos anos. Na visão dela, o payroll de julho demonstrou estabilidade suficiente para permitir o foco na inflação, ainda que tivesse sinais divergentes. Hammack ponderou que a contração nas vagas e a queda da taxa de desemprego ocorrendo simultaneamente sugerem uma mudança no ponto de equilíbrio do emprego dos EUA, graças às novas políticas de imigração. Esse argumento já foi defendido por outras autoridades americanas.
"Agora é a hora de agir"
"Quando olho os mercados financeiros e converso com empresas, não ouço que estejam sentido qualquer restrição a investimentos por conta dos juros. Isso diz que agora é a hora de agir", afirmou ela. "Quanto mais tempo esperarmos, maiores serão os custos para os americanos".
Mente aberta, mas sem ver preços voltando à meta
Apesar de defender o aumento dos juros, Hammack reiterou que entra em cada reunião de "mente aberta" sobre qual será a trajetória da política monetária. "Eu ficaria muito feliz de estar errada e ver leituras de inflação mais baixas nos próximos meses. Só que simplesmente não vejo os preços voltando para a meta por conta própria", disse.
O que esperar da trajetória dos juros nos EUA?
A fala de Hammack reforça um cenário em que o Fed pode retomar o aperto monetário, mas com incerteza sobre o tamanho necessário dos ajustes. A dirigente não descarta altas adicionais, mas também não crava um ponto final para o ciclo. Para investidores, o recado é de cautela: a inflação segue como prioridade, e o mercado de trabalho, embora estável, não deve impedir novas elevações.
Contexto geopolítico e sanções
Em paralelo, o Irã afirmou que os EUA devem suspender as sanções contra Teerã. Americanos responderam a uma solicitação brasileira realizada no fim do mês passado. Esses temas, embora não diretamente ligados à política monetária, adicionam ruído ao cenário global que o Fed acompanha de perto.
Perguntas Frequentes
O que Beth Hammack disse sobre os juros nos EUA?
Ela afirmou que "não sabe" até que ponto o Fed teria que elevar os juros se retomar o aperto monetário, mas defendeu agir agora para evitar dificuldades em trazer a inflação de volta à meta.
Por que Hammack discordou da última decisão do FOMC?
Ela discordou porque vê a política monetária como não significativamente restritiva diante de pressões inflacionárias amplas, e acredita que uma única alta de 25 pontos-base pode não ser suficiente.
O que Hammack disse sobre o mercado de trabalho?
Ela afirmou que o payroll de julho mostrou estabilidade suficiente para focar na inflação, apesar de sinais divergentes, e que a contração nas vagas com queda no desemprego sugere mudança no ponto de equilíbrio do emprego dos EUA.
Hammack está aberta a não subir os juros?
Sim, ela disse que entra em cada reunião de "mente aberta" e ficaria feliz em estar errada, mas não vê os preços voltando à meta por conta própria.
Quais pressões inflacionárias Hammack citou?
Ela citou tarifas, guerras, custos de seguros, preços de energia e investimentos em inteligência artificial como choques que mantêm a inflação elevada.