CNT/MDA: 50% dos brasileiros defende proibição de propaganda eleitoral com IA
Metade dos brasileiros defende a proibição total de vídeos e propagandas eleitorais produzidos com inteligência artificial nas eleições de 2026, segundo pesquisa CNT/MDA. Outros 34,3% querem restringir apenas conteúdos com fake news sobre candidatos.
CNT/MDA: 50% dos brasileiros defende proibição de propaganda eleitoral feita com IA
Metade dos brasileiros quer que vídeos e propagandas eleitorais produzidos com inteligência artificial sejam proibidos nas eleições de 2026. O dado vem da Pesquisa CNT de Opinião, realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) em parceria com o Instituto MDA Pesquisa, divulgada nesta terça-feira, 11.
Para 49,8% dos entrevistados, nenhum vídeo ou propaganda de candidato produzido com IA deveria ser permitido neste ano. Outros 34,3% defendem uma restrição mais específica: proibir apenas conteúdos feitos com a tecnologia que tragam fake news sobre candidatos. Já 8,9% são favoráveis à liberação de qualquer tipo de material produzido com IA, enquanto 7% não souberam ou não responderam.
Na prática, os dois primeiros grupos somam 84,1% dos entrevistados favoráveis a algum tipo de controle sobre o uso eleitoral da IA. O resultado surge no momento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começa a definir como as novas ferramentas tecnológicas poderão ser usadas nas campanhas deste ano.
Como a pesquisa CNT/MDA foi feita
O levantamento foi realizado entre os dias 5 e 8 de agosto, com entrevistas presenciais em municípios de todas as regiões do País. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-06935/2026.
A amostra ouviu brasileiros de diferentes regiões, o que dá ao estudo uma leitura nacional do tema. O recorte temporal importa: o campo ocorreu poucos dias após a exibição de um vídeo com IA que gerou polêmica na convenção de um partido, o que pode ter influenciado as respostas.
O caso do vídeo de Flávio Bolsonaro no TSE
Um dos casos em análise no TSE envolve o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL. Durante a convenção do partido, em julho, foi exibido um vídeo produzido com inteligência artificial no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro aparece virtualmente para declarar apoio à candidatura do filho.
O PT acionou o TSE contra a utilização do material. A defesa de Flávio argumenta que o vídeo foi apresentado em uma convenção partidária e que não houve intenção de enganar o público sobre a natureza do conteúdo.
O TSE deverá discutir o caso em reunião entre os ministros antes da análise do processo pelo plenário. A avaliação poderá ajudar a estabelecer um entendimento da Corte sobre o uso de deepfakes e outros conteúdos produzidos ou modificados por IA durante a campanha.
O desfecho desse processo tende a criar um precedente. Se a Corte definir critérios claros para o uso da tecnologia, a decisão pode orientar campanhas e partidos ainda neste ciclo eleitoral.
A parceria do TSE com a ElevenLabs
Além do caso concreto, o tribunal firmou uma parceria com a ElevenLabs, empresa especializada em geração de vozes artificiais, para dificultar a reprodução digital de vozes consideradas sensíveis para o processo eleitoral. A iniciativa permite que a Justiça Eleitoral solicite medidas contra a utilização indevida dessas vozes na plataforma.
A medida ataca um ponto específico: a clonagem de voz de candidatos e autoridades. Com a parceria, o TSE ganha um canal direto para pedir a remoção ou bloqueio de conteúdos que usem essas vozes de forma indevida.
Conselho consultivo para monitorar riscos da IA
O TSE também criou um conselho consultivo para acompanhar os riscos relacionados ao uso de inteligência artificial e à desinformação nas eleições de 2026. O grupo reúne especialistas e deverá auxiliar a presidência da Corte no monitoramento do impacto dessas tecnologias durante o processo eleitoral.
Na prática, o conselho funciona como uma camada extra de vigilância. Especialistas de diferentes áreas poderão alertar a presidência sobre padrões de desinformação e sugerir respostas rápidas.
O que os números da pesquisa indicam
A leitura fria dos dados mostra uma sociedade cautelosa com a tecnologia aplicada à política. O grupo que quer proibição total (49,8%) é quase o dobro do que aceita algum uso com restrição (34,3%). A soma dos dois, 84,1%, indica um consenso raro em temas eleitorais.
O grupo minoritário, de 8,9%, que defende liberação total, é pequeno. E os 7% que não souberam responder sugerem que parte da população ainda não formou opinião sobre o tema, o que abre espaço para o debate público nos próximos meses.
O ciclo sempre vira: a tecnologia muda, mas a desconfiança do eleitor diante de conteúdos que podem enganar permanece. A regulamentação que o TSE construir agora tende a definir o padrão das próximas eleições, não apenas de 2026.
O que esperar da regulamentação do TSE
A Corte ainda não bateu o martelo sobre o uso de IA nas campanhas. O caso Flávio Bolsonaro é um dos primeiros testes, e a reunião entre ministros antes do plenário indica que o tema será tratado com cautela.
A parceria com a ElevenLabs e o conselho consultivo mostram que o tribunal busca soluções práticas, não apenas punitivas. A combinação de precedente judicial, ferramenta tecnológica e monitoramento especializado forma um tripé que pode servir de modelo para outras esferas.
Para o eleitor, o recado é direto: a regra ainda está sendo escrita. Até lá, a recomendação é desconfiar de vídeos e áudios de campanha que pareçam artificiais, especialmente em um ano em que a IA está ao alcance de qualquer partido.
Perguntas Frequentes
A pesquisa CNT/MDA é nacional?
Sim, o levantamento foi realizado entre os dias 5 e 8 de agosto, com entrevistas presenciais em municípios de todas as regiões do País. Está registrado no TSE sob o número BR-06935/2026.
Quantos brasileiros querem proibir totalmente a propaganda eleitoral com IA?
49,8% dos entrevistados defendem a proibição total de vídeos e propagandas de candidatos produzidos com IA nas eleições de 2026.
O que o TSE já decidiu sobre o uso de IA nas eleições?
O TSE ainda não definiu uma regra geral. A Corte discute o caso do vídeo do senador Flávio Bolsonaro, firmou parceria com a ElevenLabs para proteger vozes e criou um conselho consultivo para monitorar riscos.
O que é a parceria do TSE com a ElevenLabs?
É um acordo com a empresa especializada em geração de vozes artificiais para dificultar a reprodução digital de vozes sensíveis no processo eleitoral. A Justiça Eleitoral pode solicitar medidas contra o uso indevido dessas vozes.
O vídeo de Flávio Bolsonaro foi proibido?
Ainda não há decisão final. O PT acionou o TSE contra o material, e a defesa de Flávio argumenta que não houve intenção de enganar. O caso será discutido em reunião entre ministros antes da análise pelo plenário.