Economia

CEO de IA de US$ 49 bi: 38 horas não levam ao topo

ResumoAndrew Feldman, CEO da Cerebras, empresa de IA avaliada em US$ 49 bilhões, defende que jornadas de 38 horas semanais não conduzem ao topo profissional. Feldman argumenta que a liderança exige dedicação intensa, contrastando com o movimento por equilíbrio entre vida pessoal e trabalho no Vale do Silício. A declaração reacende o debate sobre produtividade, sacrifício e meritocracia no setor tecnológico.

O CEO da Cerebras, Andrew Feldman, afirma que trabalhar 38 horas por semana não leva ninguém ao topo. Entenda o debate sobre jornada, equilíbrio e produtividade no Vale do Silício.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 11 de agosto de 2026
CEO de IA de US$ 49 bi: 38 horas não levam ao topo

CEO de IA de US$ 49 bi diz que jornada de 38 horas semanais não leva ninguém ao topo

A discussão sobre jornada de trabalho e sucesso ganhou um novo capítulo. Andrew Feldman, cofundador e CEO da Cerebras, empresa de chips de inteligência artificial avaliada em US$ 49,5 bilhões, afirmou que cumprir 38 horas semanais não é suficiente para quem quer chegar ao topo. A declaração foi dada em entrevista ao podcast 20VC, no ano passado, e reacendeu o debate sobre equilíbrio entre vida pessoal e carreira.

Jornada de 38 horas não leva ao topo, diz CEO de IA

Feldman foi direto ao questionar a premissa de que é possível conciliar uma rotina equilibrada com a construção de algo grandioso. "Essa ideia de que, de alguma forma, você pode alcançar a grandeza, construir algo extraordinário trabalhando 38 horas por semana e mantendo equilíbrio entre vida pessoal e profissional é algo que me deixa perplexo", disse. "Isso não é verdade em nenhuma área da vida."

A fala ecoa a posição de outros líderes do Vale do Silício e de Wall Street. Enquanto muitos trabalhadores americanos pressionam por semanas mais curtas, fundadores defendem a cultura do "grind", ou dedicação extrema, como caminho para negócios de trilhões de dólares. Feldman se junta a nomes como Sergey Brin, cofundador do Google, e Kevin O'Leary, investidor do Shark Tank, que destacam o lado duro do sucesso.

O que diz a geração Z sobre equilíbrio e trabalho

A geração Z, que busca sucesso sem abrir mão de equilíbrio razoável entre vida pessoal e trabalho, recebe o recado com desconforto. Feldman, porém, ressalva: profissionais podem cumprir 40 horas semanais e serem felizes. Só que, segundo ele, essas pessoas provavelmente não serão as responsáveis por lançar a próxima startup unicórnio ou desenvolver produtos capazes de marcar uma geração.

"Você pode ter uma ótima vida. Pode fazer muitas coisas realmente boas, e há vários caminhos para a felicidade", continuou. "Mas o caminho para construir algo novo do zero e torná-lo grande não é trabalhar em meio período. Não são 30, 40 ou 50 horas por semana. É cada minuto em que você está acordado. E, claro, isso tem custos."

CEOs contra o equilíbrio: trabalho é vida, dizem líderes

Líderes no auge das carreiras vêm contestando o conceito de equilíbrio. Eric Yuan, CEO da Zoom, disse aos funcionários que "não há como" conciliar os dois, porque "trabalho é vida, vida é trabalho". O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama afirmou que ser "excelente em qualquer coisa" exige, em determinados momentos, concentração absoluta. Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, alertou que lançar uma startup exige abrir mão de maratonas de séries na Netflix depois do expediente.

Hoffman foi além em 2014, durante o curso How to Start a Startup, da Universidade Stanford. "Se algum dia eu ouvir um fundador dizer: 'É assim que mantenho uma vida equilibrada', ele não está comprometido com a vitória", disse. "Os únicos fundadores realmente excelentes são aqueles que pensam: 'Vou colocar literalmente tudo nisso'."

Onde traçar o limite: 100 horas semanais são tóxicas

Empreendedores que buscam crescimento podem se perguntar onde traçar o limite. Alguns fundadores do Vale do Silício já se manifestaram contra jornadas tóxicas de 100 horas semanais. Ainda assim, parece haver consenso geral de que trabalhar das 9h às 17h não levará a um crescimento rápido na carreira.

O CEO da Twilio, empresa avaliada em US$ 29 bilhões, Khozema Shipchandler, reserva apenas oito horas aos sábados para não pensar em trabalho. Shipchandler disse à Fortune que "cada um de nós precisa fazer escolhas em relação ao trabalho e à vida pessoal". As pessoas podem optar por hobbies e reservar as noites para si mesmas, mas ele afirma que "nunca conversou com um colega" que não tivesse rotina semelhante.

Serena Williams e Kevin O'Leary: presença total ou 25 horas por dia

A campeã de tênis Serena Williams disse que empreendedores precisam "estar presentes 28 horas das 24" todos os dias. Já o multimilionário Kevin O'Leary aconselhou fundadores a "esquecer o equilíbrio" e afirmou: "Você vai trabalhar 25 horas por dia, sete dias por semana, para sempre."

As declarações, carregadas de hipérbole, reforçam a pressão sobre quem quer liderar. Mas especialistas alertam que levar esses conselhos ao pé da letra pode ser perigoso.

Sergey Brin e as 60 horas semanais como referência

Um líder já estabeleceu uma espécie de referência. No início do ano passado, o bilionário e cientista da computação Sergey Brin disse a funcionários que trabalham no Gemini, do Google, que "60 horas por semana é o ponto ideal de produtividade". Especialistas em ambiente de trabalho, porém, afirmam que a questão está mais relacionada a ir além do mínimo necessário.

Dan Kaplan, co-chefe da área de recursos humanos da consultoria ZRG Partners, disse à Fortune em 2025: "A lição para a maioria dos jovens profissionais é que, se você quer progredir, não vai chegar lá trabalhando 40 horas por semana". Ele completou: "Parte do perigo do comentário sobre a semana de 60 horas é que, na verdade, não se trata de 60 horas. Trata-se de trabalhar além do horário até que o trabalho esteja concluído."

Não existe número mágico, diz Feldman

Embora os empreendedores discordem sobre quantas horas deveriam trabalhar, Feldman disse à Fortune que não existe um número mágico. O foco, segundo ele, deveria estar em realizar as tarefas. "Não se trata de contabilizar horas", explicou. "Trata-se de ter paixão e estar totalmente absorvido pelo trabalho. Trata-se de ser movido pelo desejo de mudar o mundo, de ser o melhor que você pode ser e de ajudar sua equipe a ser o melhor que ela pode ser."

A declaração resume a visão de quem construiu uma empresa avaliada em US$ 49,5 bilhões. Para Feldman, a grandeza não cabe em uma jornada padrão. cultura do trabalho no Vale do Silício

Perguntas Frequentes

38 horas semanais são suficientes para ter sucesso?

Segundo Andrew Feldman, CEO da Cerebras, não. Ele afirma que a ideia de alcançar grandeza trabalhando 38 horas por semana o deixa perplexo. Para ele, construir algo extraordinário exige dedicação extrema.

O que é a cultura do grind?

É a cultura de dedicação extrema ao trabalho, defendida por fundadores do Vale do Silício. Eles acreditam que jornadas intensas são essenciais para quem quer chegar ao topo dos negócios.

Quais CEOs defendem jornadas longas?

Além de Feldman, nomes como Sergey Brin, do Google, Kevin O'Leary, do Shark Tank, e Eric Yuan, da Zoom, destacam o lado duro do sucesso. Brin cita 60 horas semanais como ponto ideal.

100 horas semanais são saudáveis?

Alguns fundadores do Vale do Silício já se manifestaram contra jornadas tóxicas de 100 horas semanais. Especialistas alertam que o foco deve estar em ir além do mínimo, não em contabilizar horas.

Existe um número ideal de horas para trabalhar?

Feldman diz que não existe número mágico. O foco deve estar em ter paixão e estar totalmente absorvido pelo trabalho, não em contabilizar horas.

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