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Vistos por investimento: de imóveis ao impacto econômico

ResumoPortugal reformulou os vistos por investimento, elevando valores mínimos e priorizando projetos de impacto econômico direto. O levantamento indica migração do capital imobiliário para fundos de apoio à inovação e criação de emprego. O novo modelo exige comprovação de benefício social, reduzindo atratividade para compra de propriedades residenciais. Investidores estrangeiros precisam adaptar estratégias para atender critérios mais rígidos de seleção.

Portugal segue como destino, mas o caminho para o visto por investimento ficou mais caro e seletivo. Levantamento mostra a migração de imóveis para o impacto econômico direto.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 11 de agosto de 2026
Vistos por investimento: de imóveis ao impacto econômico

Vistos por investimento no exterior migram de imóveis para impacto econômico direto

Portugal continua entre os principais destinos para brasileiros que buscam residência no exterior, mas o caminho para obter um visto por investimento está cada vez mais caro e seletivo. O endurecimento das regras em diversos países europeus, o fim de programas baseados na aquisição de imóveis e a exigência de investimentos capazes de gerar empregos e desenvolvimento econômico vêm alterando o perfil dos candidatos e exigindo um planejamento patrimonial mais sofisticado.

Segundo o Índice Global de Programas de Residência 2026, lançado nesta semana pela consultoria internacional de mobilidade global e migração por investimento Global Citizen Solutions, a Suíça lidera o ranking, seguida pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Golden Visa de Portugal, que permanece como uma das principais portas de entrada para investidores interessados em viver na Europa.

O que mudou nos vistos por investimento

Durante anos, diversos programas de residência permitiam a obtenção do visto mediante a compra de imóveis. Esse modelo, porém, vem sendo abandonado. Portugal retirou o investimento imobiliário de seu Golden Visa em 2023, a Espanha extinguiu definitivamente seu programa em 2025, enquanto Chipre, Bulgária e Montenegro encerraram mecanismos semelhantes. A Grécia, por sua vez, elevou significativamente o valor mínimo exigido para investimentos imobiliários.

Na prática, os governos passaram a privilegiar investimentos capazes de gerar impacto econômico direto, como aportes em fundos regulados, empresas inovadoras, projetos de venture capital e iniciativas que criem empregos.

Por que o impacto econômico virou critério central

Segundo Patricia Casaburi, CEO e fundadora da Global Citizen Solutions, os programas mais competitivos deixaram de ser aqueles com menor custo de entrada e passaram a privilegiar contribuições efetivas para a economia local. "Os programas mais bem avaliados em 2026 são aqueles capazes de demonstrar contribuição econômica real e atender a padrões cada vez mais rigorosos de diligência e transparência", afirma.

A mudança das regras alterou o perfil de quem busca residência internacional. Enquanto programas como os dos Emirados Árabes Unidos e da Suíça continuam atraindo investidores interessados em eficiência tributária e diversificação patrimonial, países como Portugal, Singapura e Nova Zelândia passaram a concentrar empresários e empreendedores dispostos a realizar investimentos produtivos.

O caso português e a nova lógica de investimento

Portugal, por exemplo, direciona atualmente os recursos dos candidatos ao Golden Visa para fundos de venture capital e private equity regulados, substituindo definitivamente o antigo modelo baseado na compra de imóveis. O Golden Visa continua figurando entre os melhores programas do mundo, mas passou a privilegiar investimentos financeiros e empresariais, enquanto o visto D2 segue como alternativa para empreendedores que desejam desenvolver atividades econômicas no país.

Segundo Laura Madrid, pesquisadora-chefe da Global Intelligence Unit da Global Citizen Solutions, o mercado vive uma transição estrutural. "O capital passivo ajudou a construir a indústria da migração por investimento. Agora, cresce a preferência por programas que conectam diretamente o investimento ao desenvolvimento econômico dos países."

Ranking global: quem lidera e o que pontua

O Índice Global de Programas de Residência 2026 pontua os programas em uma escala de 0 a 100 ao longo de cinco pilares ponderados: qualidade de vida (30%), procedimento (30%), mobilidade (20%), investimento (10%), e conformidade e credibilidade (10%).

A residência fiscal de montante fixo (lump-sum tax) da Suíça lidera a tabela com 91,9, seguida pelo Golden Visa dos Emirados Árabes Unidos (91,5, e a maior pontuação de investimento do Índice, com 99,3) e pelo Golden Visa de Portugal (91,3, com um caminho de sete ou dez anos para a cidadania, dependendo da nacionalidade).

A elite do ranking divide-se quase ao meio entre modelos passivos e ativos (seis golden visas e quatro vistos de investidor ativo/empreendedor), enquanto Itália, Grécia, Nova Zelândia, o visto D2 de Portugal, Singapura e Luxemburgo completam a lista.

O que considerar antes de escolher um programa

O novo cenário também exige maior planejamento por parte das famílias brasileiras interessadas em morar no exterior. Além da escolha do país, os investidores precisam avaliar prazos para obtenção da residência, exigências de permanência, regras tributárias, possibilidades de obtenção da cidadania e o tipo de investimento aceito por cada programa.

Para especialistas, essa tendência indica que a competição entre os países deixará de ocorrer pelo menor investimento exigido e passará a ser definida pela capacidade de atrair capital qualificado, inovação e geração de empregos, tornando os programas de residência por investimento cada vez mais seletivos.

Alternativas fora da Europa e a preferência pelos EUA

Embora o Programa Federal de Investidor Imigrante (IIP) do Canadá tenha sido efetivamente descontinuado entre 2012 e 2014, as rotas Provinciais e de Investidor de Quebec completam o top 10 global na 10ª posição (88,6), registrando pontuações de qualidade de vida entre as mais altas de todo o Índice, uma comparação relevante para quem avalia uma mudança dentro da região.

Em outras partes do hemisfério, Panamá, Costa Rica, Brasil, México, Paraguai e República Dominicana oferecem opções de residência acessíveis, de menor custo e com processamento rápido, embora nenhum pontue o suficiente para alcançar o primeiro escalão, conforme dados do estudo.

Mas são os Estados Unidos que mantêm a preferência dos brasileiros. Segundo a consultoria, o Programa de Investidor Imigrante EB-5 atinge a pontuação de 83,9, e o visto de Investidor Tratado E-2 marca 82,6. Ambos com desempenho sólido, mas atrás de todos os 10 programas que compõem o top 10 global do Índice.

Brasileiros no exterior: números que explicam a demanda

A relevância de Portugal para os brasileiros também aparece nos números do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Segundo o Relatório Consular Anual, 5,29 milhões de brasileiros vivem atualmente no exterior, um recorde histórico. Os Estados Unidos concentram a maior comunidade, com cerca de 2,07 milhões de residentes, enquanto Portugal ocupa a segunda posição, com mais de 574 mil brasileiros, consolidando-se como o principal destino europeu da diáspora nacional.

Na Europa, a busca de brasileiros estende-se a outros países, além de Portugal. A Suíça acolhe 88 mil cidadãos, repartidos entre as regiões de Zurique, com 49 mil, e Genebra, com 39 mil, enquanto Luxemburgo registra 10 mil residentes e a Grécia soma 4 mil brasileiros. Só na Itália, são 159,2 mil.

Fora do continente europeu, a Oceania, incluindo a Nova Zelândia, compõe um bloco regional de destaque com 84 mil brasileiros. Já os Emirados Árabes Unidos atraem 65 mil pessoas, Singapura 2 mil brasileiros, todos altamente qualificados. No Canadá, o Itamaraty estima que haja 153 mil brasileiros residentes.

O futuro dos programas de residência por investimento

A Oceania possui a maior média de todo o Índice (88,6), com a Nova Zelândia na 6ª posição e a Austrália na 13ª, ambas impulsionadas por modelos focados em talentos e aportes ativos. Os termos mudam com frequência e os candidatos devem confirmar os requisitos atuais com fontes oficiais antes de tomar qualquer decisão.

Perguntas Frequentes

Quais países abandonaram o visto por investimento imobiliário?

Portugal retirou o investimento imobiliário de seu Golden Visa em 2023, a Espanha extinguiu definitivamente seu programa em 2025, enquanto Chipre, Bulgária e Montenegro encerraram mecanismos semelhantes.

O que substituiu a compra de imóveis nos vistos por investimento?

Os governos passaram a privilegiar investimentos capazes de gerar impacto econômico direto, como aportes em fundos regulados, empresas inovadoras, projetos de venture capital e iniciativas que criem empregos.

Qual é o melhor visto por investimento em 2026?

Segundo o Índice Global de Programas de Residência 2026, a Suíça lidera com 91,9, seguida pelos Emirados Árabes Unidos (91,5) e pelo Golden Visa de Portugal (91,3).

O Golden Visa de Portugal ainda aceita compra de imóveis?

Não. Desde 2023, Portugal direciona os recursos dos candidatos ao Golden Visa para fundos de venture capital e private equity regulados, substituindo o antigo modelo baseado na compra de imóveis.

Quantos brasileiros vivem em Portugal?

Segundo o Relatório Consular Anual do MRE, mais de 574 mil brasileiros vivem em Portugal, que é o principal destino europeu da diáspora nacional.

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