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PF apura R$ 97 mi de previdência de Maceió no Master

ResumoA Polícia Federal apura R$ 97 milhões do Instituto de Previdência de Maceió (Iprev) aplicados em operações do Banco Master, liquidado em 2025. A investigação, com apoio da CGU, cumpre 8 mandados em Alagoas e São Paulo para verificar supostas irregularidades na gestão dos recursos previdenciários municipais.

PF e CGU cumprem 8 mandados em Alagoas e São Paulo para apurar supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Iprev em operações do Banco Master, liquidado em 2025.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 10 de agosto de 2026
PF apura R$ 97 mi de previdência de Maceió no Master

PF apura aporte de R$ 97 milhões de previdência de Maceió no Master

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram, nesta segunda-feira (10), uma operação para aprofundar as investigações sobre supostas irregularidades na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) em operações financeiras do Banco Master. Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cidades de Alagoas e São Paulo, com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O que está em jogo: R$ 97 milhões em letras financeiras

Segundo a PF, as suspeitas de possível gestão fraudulenta recaem sobre duas aplicações de recursos do Iprev em letras financeiras emitidas pelo Master. Em dezembro de 2023, o instituto aplicou R$ 97 milhões. Em maio de 2024, mais R$ 17 mil.

As investigações buscam esclarecer as circunstâncias do processo de credenciamento, de cotação, de análise de risco, de governança e de tomada de decisão que antecederam os investimentos. O ministro André Mendonça, em sua decisão, afirmou que a PF assegura ter indícios de "possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida".

Quem são os investigados

A operação mira seis pessoas ligadas ao Iprev e à consultoria Crédito & Mercado. São elas:

  • João Felipe Alves Borges, atual secretário de Fazenda de Maceió, que integrava o Conselho de Administração do Iprev à época dos fatos;
  • Ronnie REYNER Teixeira Mota, ex-diretor-presidente do Iprev;
  • Gustavo Antônio Rodrigues de Souza, ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev;
  • Renan Foglia Calamia, dirigente da empresa de consultoria Crédito & Mercado;
  • Marília Alexandre de Lima Alves, integrante da Secretaria Municipal da Fazenda;
  • Marcelo Brasileiro Santos, membro do Comitê de Investimentos do Iprev.

O que foi autorizado pela Justiça

Além das buscas, Mendonça decretou a indisponibilidade dos bens móveis e imóveis, bem como de valores dos seis investigados, até o limite global de R$ 97 milhões. Os agentes federais foram autorizados a apreender computadores, discos rígidos, pendrives e outras mídias, telefones pessoais ou corporativos, documentos físicos, agendas, anotações, contratos, comprovantes financeiros e outros elementos probatórios em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados, além das sedes do Iprev e da Crédito & Mercado de Valores Mobiliários LTDA.

O papel da consultoria Crédito & Mercado

Segundo a PF, a empresa de consultoria foi contratada pelo Iprev e teria participado da condução do credenciamento, da elaboração e da validação de análises e da formação documental das operações junto ao Master. Isso caracterizaria a "terceirização indevida da competência administrativa" do instituto de previdência.

O que diz o despacho de André Mendonça

No documento que autorizou as medidas, o ministro destacou que, de acordo com a autoridade policial, as Autorizações de Aplicação e Resgate (APRs) teriam sido preenchidas com justificativas genéricas e padronizadas, sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master.

O que diz o Iprev

Em nota, o Iprev informou que "os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis". Segundo o instituto, o patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente, o que garante "a capacidade de pagamento de aposentados e pensionistas". O Iprev disse ainda que está colaborando com as autoridades.

Contexto: a liquidação do Banco Master

O Master, pertencente ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central (BC). Ao anunciar a medida, o BC informou que o Master havia violado as normas do Sistema Financeiro Nacional e sofria com uma grave crise de liquidez.

Próximos passos da investigação

A operação desta segunda-feira é um aprofundamento das apurações que já estavam em curso. A PF agora analisa o material apreendido para verificar se houve direcionamento dos investimentos e se as decisões de aplicação seguiram os ritos legais. A reportagem ainda não conseguiu contato com os investigados citados. O espaço segue aberto para manifestação dos interessados.

Perguntas Frequentes

O que é o Iprev?

O Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) é o órgão responsável pela gestão previdenciária dos servidores do município. Segundo o instituto, o patrimônio passou de cerca de R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente.

Quanto foi investido no Banco Master?

Em dezembro de 2023, o Iprev aplicou R$ 97 milhões em letras financeiras do Master. Em maio de 2024, foram aplicados mais R$ 17 mil.

Quem autorizou as buscas?

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu os oito mandados de busca e apreensão e decretou a indisponibilidade de bens até o limite global de R$ 97 milhões.

O que o Iprev disse sobre a operação?

O Iprev afirmou que os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis e que está colaborando com as autoridades.

O que aconteceu com o Banco Master?

O Master foi liquidado extrajudicialmente em novembro de 2025, por determinação do Banco Central, que apontou violação às normas do Sistema Financeiro Nacional e grave crise de liquidez.

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