Natura (NATU3) sobe 3% após balanço 2T surpreender
Natura (NATU3) opera em alta de 3,59% após balanço do 2T superar baixas expectativas. EBITDA de R$ 620 mi supera consenso. Bancos divergem sobre recuperação.
Natura (NATU3) sobe 3,59% após balanço do 2T superar baixas expectativas; bancos veem fraqueza no Brasil
As ações da Natura (NATU3) operam em alta nesta terça-feira (11), após o balanço do segundo trimestre superar as baixas expectativas dos investidores. Às 10h30 (horário de Brasília), os papéis da empresa de cosméticos subiam 3,59%, a R$ 8,37, após uma abertura em queda. O movimento reflete a leitura de que o resultado veio melhor do que o temido, mesmo com receita ainda em contração.
Resposta direta: O EBITDA consolidado somou R$ 620 milhões, superando as estimativas do Bradesco BBI em 21% e o consenso em 14%. A receita caiu 9% na base anual. A companhia revisou a meta de margem Ebitda reportada para 2026, agora com expansão sobre os 10% de 2025.
Por que a Natura surpreendeu mesmo com receita em queda
Na avaliação do Bradesco BBI, a Natura surpreendeu positivamente ao entregar resultados melhores do que o esperado, após expectativas terem sido revisadas para baixo em função da prévia de vendas decepcionante. O controle mais rígido de despesas operacionais (G&A) e a melhora na margem bruta compensaram a queda de 9% na receita consolidada em base anual.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) consolidado somou R$ 620 milhões, superando as estimativas do Bradesco BBI em 21% e o consenso em 14%. Os analistas Pedro Pinto e Flávia Meireles, do BBI, escreveram: "Apesar do cenário ainda desafiador para a retomada das vendas, especialmente no Brasil e na marca Avon, a Natura mostrou forte resiliência na proteção de margens e geração de caixa".
O tom é de cautela, não de euforia. O banco reconhece o mérito operacional, mas não ignora o ambiente difícil de vendas. Quem acompanha o setor de cosméticos sabe que margem protegida não compensa receita encolhendo por muito tempo.
JPMorgan: resultado fraco, mas melhor do que o temido
A equipe do JPMorgan classificou o resultado como fraco, mas melhor do que o temido no segundo trimestre de 2026. Para o banco, a divulgação preliminar de julho já havia reduzido os riscos relacionados à receita, enquanto a maior resiliência da rentabilidade e a geração de caixa foram pontos positivos do balanço.
A Natura gerou cerca de R$ 360 milhões em caixa no trimestre, considerando a variação da dívida líquida ajustada pelos efeitos do FDIC, financiamento de fornecedores e recompras de ações. Esse número importa: em um cenário de juros ainda altos, caixa é oxigênio.
Diante do desempenho fraco no primeiro semestre, a companhia revisou sua expectativa para a margem Ebitda reportada em 2026. A empresa agora trabalha com expansão em relação aos 10% registrados em 2025, e não mais em relação à margem Ebitda ajustada de 14,1% do ano passado. O JPMorgan projeta margem reportada de 11% para 2026 e de 12,3% em base ajustada.
O JPMorgan destaca que o desempenho operacional superou as estimativas e veio acompanhado de geração de caixa, enquanto tanto sua projeção quanto o consenso já incorporavam uma contração da margem em 2026. Por isso, a revisão da rentabilidade não deve provocar mudanças relevantes nas estimativas de lucro por ação.
Por outro lado, o banco ressalta que a visibilidade continua baixa, principalmente em relação ao ritmo de recuperação da receita no Brasil e à execução da companhia no segundo semestre. Ou seja: o mercado comprou o resultado, mas não está comprando a tese de retomada ainda.
Goldman Sachs: fraqueza na operação do Brasil é o destaque negativo
O Goldman Sachs também considerou fraco o resultado, pois as vendas recuaram 8% na comparação anual, conforme já havia sido reportado em julho. No entanto, o principal destaque negativo foi a intensidade da fraqueza na operação principal da Natura no Brasil, cuja receita recuou 15% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A margem bruta caiu 70 pontos-base, principalmente devido ao impacto temporário do ICMS-ST (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços por Substituição Tributária). Esse é um efeito contábil, mas que explica parte da pressão sobre a rentabilidade bruta.
As despesas foram o ponto positivo do resultado, segundo avaliação do Goldman Sachs. A companhia começou a capturar os benefícios do enxugamento realizado nas despesas gerais e administrativas (G&A) no 1T26, levando a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) a subir 40 pontos-base na comparação anual, mesmo diante da menor margem bruta e da alavancagem operacional negativa.
A leitura do Goldman é cirúrgica: o problema não é o custo, é a receita. Se o Brasil não voltar a crescer, o enxugamento de despesas tem limite.
Morgan Stanley: operação brasileira puxa resultado para baixo
O Morgan Stanley, por sua vez, avaliou que os resultados do segundo trimestre da Natura foram prejudicados principalmente pelo desempenho da operação brasileira. A avaliação é consistente com os números: a receita no Brasil caiu 15%, bem acima da queda consolidada de 9%.
A leitura dos quatro bancos converge em um ponto: a resiliência de margem e caixa é real, mas a recuperação da receita no Brasil segue como a grande incógnita. Para o investidor, o cenário é de cautela: a ação subiu, mas os fundamentos ainda não confirmam uma virada consistente.
O que esperar do segundo semestre da Natura
A revisão da meta de margem Ebitda para 2026 indica que a companhia prefere ser conservadora. Em vez de prometer expansão sobre a margem ajustada de 14,1%, agora trabalha com base nos 10% reportados em 2025. Isso reduz o risco de nova frustração, mas também sinaliza que a rentabilidade deve ficar abaixo do potencial anteriormente projetado.
O JPMorgan projeta margem reportada de 11% para 2026 e de 12,3% em base ajustada. Se confirmado, seria um avanço, mas ainda distante dos patamares pré-crise da marca Avon.
A geração de caixa de R$ 360 milhões no trimestre é um alívio em um momento de desalavancagem. Mas a visibilidade baixa sobre o ritmo de recuperação da receita no Brasil, como ressalta o JPMorgan, mantém o risco de novos sustos.
Para quem opera com ações, o movimento de alta de 3,59% reflete mais o alívio do que a convicção. O mercado precificou o pior e o resultado veio menos ruim. Isso não é o mesmo que uma tese de investimento sólida.
Perguntas Frequentes
Por que a ação da Natura subiu após o balanço do 2T?
A ação subiu porque o resultado superou as baixas expectativas. O EBITDA de R$ 620 milhões veio 14% acima do consenso, com geração de caixa de R$ 360 milhões. O mercado temia um resultado pior.
O que o Bradesco BBI disse sobre o balanço da Natura?
O BBI avaliou que a Natura surpreendeu positivamente, com forte resiliência na proteção de margens e geração de caixa, apesar do cenário desafiador para vendas no Brasil e na marca Avon.
Qual foi a receita da Natura no segundo trimestre?
A receita consolidada caiu 9% na comparação anual. No Brasil, a queda foi de 15%, conforme apontado pelo Goldman Sachs.
A Natura revisou a meta de margem Ebitda para 2026?
Sim. A companhia agora trabalha com expansão sobre os 10% de margem reportada em 2025, e não mais sobre a margem ajustada de 14,1% do ano passado.
Qual a projeção do JPMorgan para a margem Ebitda da Natura em 2026?
O JPMorgan projeta margem reportada de 11% e de 12,3% em base ajustada para 2026.
O que o Goldman Sachs destacou como ponto negativo?
A fraqueza na operação do Brasil, com receita 15% menor, e a queda de 70 pontos-base na margem bruta por efeito do ICMS-ST. O ponto positivo foram as despesas controladas.
A geração de caixa da Natura foi relevante no trimestre?
Sim. A companhia gerou cerca de R$ 360 milhões em caixa no trimestre, considerando a variação da dívida líquida ajustada por FDIC, financiamento de fornecedores e recompras de ações.
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