Natura (NATU3): ações sobem apesar de lucro 82% menor no 2T26
As ações da Natura (NATU3) subiram 3,09% nesta terça (11), a R$ 8,33, mesmo após lucro 82% menor no 2T26. CEO admite: 'dificuldades operacionais no Brasil superaram expectativas'. Analistas veem margens resilientes, mas recomendam cautela.
Natura (NATU3): ações sobem apesar de lucro 82% menor no 2T26
As ações da Natura (NATU3) abriram o pregão desta terça-feira (11) em queda, mas inverteram o sinal para o positivo em reação aos números do segundo trimestre deste ano (2T26). O lucro líquido foi de R$ 35 milhões, resultado 82% menor na comparação com o mesmo período em 2025. Por volta de 11h (horário de Brasília), as ações operavam em alta, com avanço de 3,09%, cotadas a R$ 8,33.
O que explica a alta das ações da Natura?
Analistas do Bradesco BBI avaliam que a companhia surpreendeu positivamente no segundo trimestre do ano ao entregar resultados melhores do que o mercado esperava. As expectativas tinham sido revisadas para baixo após a prévia de vendas divulgada pela companhia, que antecipou um resultado decepcionante. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado somou R$ 620 milhões, com margem de 12%, superando as estimativas do Bradesco BBI em 21% e o consenso em 14%.
O controle mais rígido de despesas operacionais (G&A) e a melhora na margem bruta compensaram a queda de 9% na receita consolidada em base anual. A alavancagem não se deteriorou, fechando em 2,35 vezes a relação dívida líquida sobre o Ebitda. A empresa ajustou suas projeções, estimando agora uma margem Ebitda acima de 10% para 2026, com aceleração na geração de fluxo de caixa livre no segundo semestre em relação ao ano anterior.
"Apesar do cenário ainda desafiador para a retomada das vendas, especialmente no Brasil e na marca Avon, a Natura mostrou forte resiliência na proteção de margens e geração de caixa", dizem os analistas do BBI.
CEO admite: "dificuldades operacionais no Brasil superaram expectativas"
Em teleconferência de resultados realizada na manhã desta terça-feira, João Paulo Ferreira, CEO da companhia, reconheceu que os números do trimestre frustraram as expectativas. A queda acentuada da receita no Brasil sofre com os impactos do cenário macroeconômico sobre a renda disponível, além de problemas relacionados à disponibilidade de produtos.
"As dificuldades operacionais no Brasil superaram nossas expectativas", afirmou. "Reconhecemos, contudo, que grande parte dos problemas desse trimestre são internos, operacionais e fundamentalmente autoimpostos", completou o executivo.
A escassez de produtos é apontada como um dos fatores que contribuíram para o cenário, com estresse causado pela indisponibilidade de produtos e parada da operação, mesmo com uma implementação tida como bem-sucedida do sistema SAP. Há ainda as novas políticas comerciais nos canais D2C (direto ao consumidor) e efeito tributário temporário na receita.
O que dizem os analistas sobre a NATU3?
Bradesco BBI: recomendação Neutra
O BBI já esperava uma reação positiva das ações no curto prazo devido à superação das baixas expectativas, mas mantém a recomendação Neutra diante da falta de clareza sobre o ponto de virada na receita.
Itaú BBA: market perform, preço-alvo de R$ 10
Analistas do Itaú BBA pontuam que a receita foi praticamente um não evento após os números preliminares, apenas confirmando a estimativa de uma queda de aproximadamente 15% na comparação anual na Natura Brasil e um desempenho amplamente estável na América Latina Hispânica, em termos de reais.
Na visão da casa, os principais destaques foram a maior rentabilidade na América Latina Hispânica, especialmente no México, amplamente sustentada por uma forte redução de 15% nas despesas gerais e administrativas (G&A) na comparação anual, o que parece ter caráter estrutural. Somado a isso, há a elevada receita proveniente de créditos tributários, de R$ 81 milhões no trimestre, parcialmente recorrente ao longo do ano, mas fortemente concentrada no trimestre e geração de fluxo de caixa livre (FCF) de R$ 62 milhões. O BBA tem classificação market perform, equivalente à neutra, com preço-alvo de R$ 10 para NATU3.
Citi: visão negativa de curto prazo, Neutra/Alto Risco
A visão de curto prazo do Citi para a Natura é negativa. Ainda que a companhia já tivesse sinalizado tendências mais fracas, o trimestre ainda ficou abaixo das estimativas do banco, particularmente abaixo da linha operacional. De acordo com os analistas, houve, no entanto, alguns pontos positivos, com a economia nas despesas SG&A (gerais e administrativas) claramente se materializando e a continuidade de recuperação do negócio Hispânico.
"Supondo uma melhora mais significativa na trajetória da receita no Brasil, esperamos que as margens eventualmente superem os níveis históricos, refletindo a estrutura de custos mais enxuta da companhia. Por enquanto, contudo, permanecemos à margem", dizem os analistas do banco. O Citi observa que, após sinalizar um trimestre mais fraco, a ação mostrou uma resiliência surpreendente (em relação ao restante da nossa cobertura de varejo), sugerindo uma relação risco-retorno desfavorável na atual avaliação. O banco tem recomendação Neutra/Alto Risco para a Natura, com preço-alvo de R$ 10.
BTG Pactual: neutra, preço-alvo de R$ 12
O BTG Pactual coloca que, como parcialmente antecipado pela companhia em um relatório de prévia operacional divulgado há um mês, a Natura reportou resultados fracos no segundo trimestre, impactados por uma forte desaceleração da receita no Brasil, pior alavancagem operacional e pressão adicional de efeitos não recorrentes relacionados às demissões e aos efeitos da transição fiscal (ICMS-ST). Considerando todos esses fatores, os resultados operacionais ficaram em linha com as estimativas do banco e no limite superior do consenso do mercado.
"Curiosamente, o mix foi um pouco diferente do esperado: a receita no Brasil (queda de 14,8% na comparação anual; 2% abaixo da nossa estimativa) foi afetada por um cenário macroeconômico desafiador, indisponibilidade de produtos (em decorrência de uma integração de sistemas) e um descasamento tributário temporário (2 pontos percentuais do crescimento da receita)", dizem os analistas.
Por outro lado, a companhia apresentou uma recuperação melhor que a esperada na unidade Hispânica, com crescimento da receita de 0,7% na comparação anual (5,6% acima da estimativa), ou 7% em termos de moeda constante, após quatro trimestres de forte contração da receita, levando a uma melhora sequencial das margens. O BTG tem recomendação neutra para a Natura, com preço-alvo de R$ 12.
O que esperar das ações da Natura?
A reação positiva do mercado contrasta com os números fracos. A resiliência das margens e a geração de caixa são os pontos que sustentam a alta. Mas a falta de clareza sobre a retomada da receita no Brasil mantém os bancos cautelosos. O cenário macroeconômico, a disponibilidade de produtos e a execução operacional são os fatores que vão determinar o próximo movimento.
Perguntas Frequentes
Por que as ações da Natura subiram mesmo com lucro menor?
Os investidores reagiram à superação das baixas expectativas, com Ebitda 21% acima da estimativa do Bradesco BBI e controle de despesas. A resiliência das margens e a geração de caixa também ajudaram.
Qual foi o lucro da Natura no 2T26?
O lucro líquido foi de R$ 35 milhões, 82% menor que no 2T25.
O que o CEO da Natura disse sobre os resultados?
João Paulo Ferreira afirmou que as dificuldades operacionais no Brasil superaram as expectativas e que grande parte dos problemas são internos e autoimpostos.
Qual é a recomendação dos bancos para a NATU3?
Bradesco BBI, Itaú BBA, Citi e BTG Pactual mantêm recomendação neutra, com preços-alvo entre R$ 10 e R$ 12.
O que explica a queda da receita no Brasil?
Queda de 14,8% na comparação anual, afetada por cenário macroeconômico desafiador, indisponibilidade de produtos e descasamento tributário temporário.
como analisar resultados trimestrais de ações o que é Ebitda e como interpretar vale a pena investir em ações da Natura?