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JBS 2T26: lucro supera estimativas, mas EUA e dívida pesam

ResumoJBS (JBSS3) registrou receita recorde de US$ 23,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, superando as estimativas de mercado. A recuperação da carne bovina nos Estados Unidos e a alavancagem financeira de 3,1 vezes a dívida líquida sobre EBITDA permanecem como principais pontos de atenção para analistas e bancos. O desempenho operacional positivo contrasta com os desafios estruturais no mercado norte-americano.

A JBS (JBSS32) entregou receita recorde de US$ 23,9 bilhões no 2T26, acima das estimativas, mas a recuperação da carne bovina nos EUA e a alavancagem de 3,1x seguem no radar dos bancos.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 11 de agosto de 2026
JBS 2T26: lucro supera estimativas, mas EUA e dívida pesam

JBS (JBSS32): 2T26 supera estimativas, mas recuperação nos EUA e alavancagem preocupam; veja o que dizem os bancos

A JBS (JBSS32) entregou um segundo trimestre de 2026 (2T26) melhor do que o esperado por boa parte dos bancos, mas o resultado não foi suficiente para afastar as preocupações com a recuperação da operação de carne bovina nos Estados Unidos e com o nível de alavancagem da companhia.

Resposta direta: A JBS registrou receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões no 2T26, alta de 14% na comparação anual. O Ebitda ajustado ficou em US$ 1,43 bilhão, queda de 18,5%, e o lucro líquido ajustado foi de US$ 218 milhões. Com efeitos não recorrentes, a companhia teve prejuízo de US$ 102 milhões.

O que dizem os bancos sobre o 2T26 da JBS

A leitura das instituições foi majoritariamente positiva no operacional. Bank of America, BTG Pactual e Itaú BBA apontaram resultados acima de suas estimativas, enquanto a XP Investimentos classificou o trimestre como em linha com suas projeções.

Em comum, os bancos destacaram o desempenho melhor que o esperado da carne bovina nos EUA, mas divergiram sobre a velocidade de recuperação do ciclo.

US Beef: o principal destaque positivo, ainda no vermelho

A operação de carne bovina nos EUA foi o principal destaque positivo do balanço. A unidade registrou receita recorde de US$ 7,8 bilhões, alta de 14,2% anual, mas ainda teve Ebitda ajustado negativo, de cerca de US$ 100 milhões. A pressão continua vindo da oferta restrita de gado e dos elevados custos da matéria-prima.

Para o Bank of America, a margem da US Beef, de -1,3%, ficou 70 pontos-base acima do esperado. O banco entende que a melhora pode ajudar a recuperar o sentimento dos investidores e ser um sinal de que "o pior ficou para trás".

O Itaú BBA teve leitura semelhante. O banco destacou que a margem foi significativamente menos negativa do que a faixa de -2% a -3% considerada ao longo do trimestre. Para os analistas, isso torna a surpresa positiva mais relevante, já que não houve ganhos contábeis relevantes para explicar o resultado.

Ainda assim, o Itaú ressalta que a direção de melhora parece correta, mas o ritmo da recuperação permanece incerto. A XP é mais cautelosa e afirma continuar cética quanto à velocidade com que a operação americana poderá se recuperar.

A reabertura da fronteira para o gado mexicano é um dos fatores que alimentam as expectativas de melhora. O novo CEO eleito da JBS, Wesley Batista Filho, afirmou que espera uma melhora na oferta de gado americano até o primeiro trimestre de 2027.

Brasil e Austrália: força nas exportações, com ressalvas

Outro ponto de destaque nos relatórios foi o desempenho das operações de carne bovina no Brasil e na Austrália.

A JBS Brasil registrou receita recorde de US$ 4,6 bilhões, alta de 28% anual, com Ebitda ajustado de US$ 273 milhões e margem de 5,9%. O resultado foi impulsionado por preços e volumes maiores nas exportações.

BofA e Itaú BBA, porém, fazem uma ressalva: parte da força pode estar relacionada à antecipação de embarques para a China antes do esgotamento das cotas de importação. O BTG Pactual também chama atenção para esse efeito.

Na Austrália, a receita avançou 30%, para US$ 2,6 bilhões, e o Ebitda alcançou US$ 218 milhões. Mas, com a cota chinesa preenchida em junho, o banco espera um ambiente menos favorável no próximo trimestre para receita e margens.

Seara: resiliência e um alerta do Itaú BBA

A Seara foi outro ponto positivo do trimestre. A unidade registrou receita de US$ 2,5 bilhões, alta de 18,2%, e Ebitda ajustado de US$ 315 milhões, com margem de 12,3%.

O BTG destacou que a queda da margem foi menor do que o esperado, enquanto o BofA classificou a operação como resiliente, apoiada pelo mercado de exportação e por uma base de comparação mais favorável após o surto de gripe aviária no 2T25.

Para a XP, US Beef e Seara foram justamente os dois segmentos que apresentaram desempenho acima de suas estimativas.

O Itaú BBA, por outro lado, pondera que a discussão para a JBS não envolve apenas a recuperação da carne bovina nos EUA: existe o risco de que as margens da Seara comecem a enfraquecer antes que a US Beef apresente uma recuperação mais significativa.

Alavancagem e fluxo de caixa: o que mudou no balanço

Além das margens, a estrutura de capital ganhou atenção após o trimestre.

A JBS encerrou junho com alavancagem de 3,1 vezes a dívida líquida sobre Ebitda, acima do intervalo-alvo de 2 a 3 vezes. O nível também foi influenciado pelo pagamento de cerca de US$ 1 bilhão em dividendos no trimestre.

Para o BTG, apesar de a alavancagem ter entrado na chamada "zona de atenção", entre 3 e 3,75 vezes, o balanço continua confortável, considerando o prazo médio da dívida superior a 15 anos e custo médio de financiamento de 5,7%.

A XP também chama atenção para a alavancagem, além das despesas recorrentes, embora classificadas como não recorrentes, relacionadas a litígios, que podem continuar pressionando o lucro líquido em um momento menos favorável do ciclo.

O fluxo de caixa livre permaneceu positivo em cerca de US$ 130 milhões, uma melhora de US$ 185 milhões ante o 2T25, favorecida pela gestão do capital de giro.

Recomendações e preços-alvo: visões divergentes para os próximos anos

As leituras dos bancos ficam mais divergentes quando a discussão passa do trimestre para os próximos anos.

O BofA mantém recomendação de compra e entende que a melhora das margens da carne bovina americana pode ser um gatilho para recuperação do sentimento em relação à ação. O banco recomenda compra para as ações listadas em NY, com preço-alvo de US$ 20.

O BTG também mantém uma visão construtiva e considera a JBS a melhor proposta de valor entre seus pares de proteínas nos EUA e no Brasil. Ao mesmo tempo, alerta que a ação ainda não é uma aposta clara de alpha até que exista uma tendência mais evidente de melhora das margens. Os analistas têm recomendação de compra e preço-alvo de R$ 100 para o BDR.

O Itaú BBA vê uma relação risco-retorno atrativa no médio e longo prazo, sustentada pela possibilidade de normalização das margens da US Beef e de expansão do múltiplo em relação aos pares globais. O banco tem preço-alvo de US$ 18 e recomendação de compra para a ação em Nova York ao fim de 2026.

Já a XP considera o resultado neutro e afirma que não houve mudanças relevantes na tese de investimento. Para a casa, a diversificação continua sendo um dos principais diferenciais da JBS, mas faltam gatilhos positivos claros no curto prazo. A XP tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 89 para o BDR.

O teste decisivo: a velocidade da recuperação da US Beef

Depois de um 2T26 melhor do que o temido em várias frentes, o principal teste para a JBS passa a ser a velocidade de recuperação da carne bovina nos EUA, e se ela acontecerá antes de uma eventual deterioração de outras operações.

Ao mesmo tempo, a companhia atravessa uma sequência de mudanças relevantes: a reabertura da fronteira mexicana para o gado, a joint venture com o fundo soberano da Indonésia e a escolha de Wesley Batista Filho para assumir o comando global em janeiro de 2027. A mudança marca a primeira troca de CEO da JBS em oito anos e foi apresentada pelo executivo como uma transição de continuidade.

Nesse cenário, os bancos parecem concordar em um ponto: o 2T26 não muda radicalmente a tese da JBS. O que pode mudar a percepção sobre a ação é a confirmação de que a recuperação da US Beef finalmente começou.

Perguntas Frequentes

A JBS superou as estimativas no 2T26?

Sim, a receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões veio acima das projeções de BofA, BTG e Itaú BBA. A XP classificou o trimestre como em linha.

Por que a alavancagem da JBS preocupa?

A dívida líquida sobre Ebitda subiu a 3,1 vezes, acima da meta de 2 a 3 vezes, influenciada pelo pagamento de US$ 1 bilhão em dividendos.

Qual é a recomendação dos bancos para a JBS?

BofA, BTG, Itaú BBA e XP têm recomendação de compra, com preços-alvo entre US$ 18 e US$ 20 para NY e R$ 89 a R$ 100 para o BDR.

Quando a US Beef deve se recuperar?

O novo CEO Wesley Batista Filho espera melhora na oferta de gado americano até o 1T27, mas a XP segue cética quanto à velocidade.

O que pode mudar a percepção sobre a ação?

A confirmação de que a recuperação da US Beef começou, segundo os bancos, é o principal gatilho para mudar a percepção sobre a JBS.

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