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Ibovespa cai 1,5% e perde 170 mil pontos com saída de estrangeiros

ResumoIbovespa registrou queda de 1,5% na sessão, encerrando abaixo dos 170 mil pontos. A perda do patamar refletiu a saída de investidores estrangeiros, a ata do Copom e o IPCA acima do esperado. O movimento ocorreu em contexto de cautela global e fiscal, com pressão sobre ativos de risco brasileiros.

Em dia de cautela global e fiscal, o Ibovespa cai 1,5% e perde os 170 mil pontos. Saída de estrangeiros, ata do Copom e IPCA acima do esperado pressionam o mercado.

Bianca Solano
Bianca Solano Repórter de finanças pessoais · 11 de agosto de 2026
Ibovespa cai 1,5% e perde 170 mil pontos com saída de estrangeiros

Ibovespa cai 1,5% e perde os 170 mil pontos com mais sinais de saída de estrangeiros

O Ibovespa opera em forte queda nesta terça-feira, 11, pressionado por ações de primeira linha, indicando nova saída de capital estrangeiro. Às 12h23 (horário de Brasília), o índice caía 1,51%, aos 169.583 pontos, após perder o patamar dos 170 mil pontos. A sessão começou estável, com o índice abrindo em 162.180,01 pontos, subindo 0,12% na máxima aos 172.385,51 pontos, antes de virar para o negativo.

A queda ocorre em meio a um cenário de cautela global, com o fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, e temores domésticos com o fiscal a poucos meses da eleição. Na semana passada, a saída de capital estrangeiro da B3 somou R$ 5,55 bilhões, um sinal claro de que investidores estrangeiros estão reduzindo posições no mercado brasileiro.

Ata do Copom e IPCA: o que pesa no Ibovespa

Os investidores da B3 iniciaram o pregão digerindo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em um dia de agenda esvaziada no exterior. Após cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14% ao ano, na semana passada, o Banco Central reafirmou na ata que a magnitude do ciclo de juros será ajustada "à luz da evolução do cenário".

Segundo o colegiado, choques de oferta têm influenciado a trajetória recente e a prospectiva da inflação. O Copom também reafirmou que o balanço de riscos tem assimetria altista e que a atividade econômica manteve trajetória de moderação, como antecipado. A avaliação é de um comunicado mais duro, mas que não fecha a porta para novas quedas da Selic.

Na avaliação da equipe da Warren Investimentos, foi uma ata com tom mais duro, que reforça a mensagem de que a Selic ainda deverá permanecer em patamar restritivo e que os riscos estão elevados. "É um BC disposto a manter o ritmo lento na calibração, mas sem dar indicação explícita disso", afirmou em relatório enviado a clientes.

IPCA de julho acima do esperado

O IPCA de julho ficou em 0,07%, ante mediana de 0,03%, alcançando alta de 4,44% em 12 meses, também acima do esperado (4,40%). Segundo Gabriel Magno, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, a diferença entre o realizado e o projetado pelos analistas foi bem pequena, o que deve manter o Copom cauteloso.

"Não acredito que estes dados do IPCA vão ter impacto nas próximas decisões de juros", diz Magno, que vê a Selic fechando 2026 em 13,75%, dos atuais 14%.

De acordo com João Debom, sócio da Supernova Investimentos, o ideal é entender que as divulgações, ata e IPCA, medem coisas diferentes. "O IPCA de julho fala do presente, e o presente está comportado", diz. Já a ata indica o futuro. "E é sobre o futuro que o Banco Central segue desconfiado, porque sabe que parte da desaceleração recente tem componente sazonal (alimentos especialmente) e pode não se sustentar quando a economia reagir aos cortes de juros já feitos", avalia Debom.

JPMorgan rebaixa Brasil e corta projeção do Ibovespa

O JPMorgan rebaixou as ações do Brasil para neutro dentro da América Latina. Para os estrategistas, o Brasil perde atratividade diante da combinação de crescimento mais fraco, deterioração do crédito, juros elevados por mais tempo e aumento da volatilidade em função das eleições presidenciais de outubro. A projeção para o Ibovespa ao fim do ano passou de 190 mil pontos para 185 mil pontos.

O banco também reduziu sua projeção para o Ibovespa ao final de 2026, mas destacou algumas oportunidades em ações.

Estreito de Ormuz e o impacto no petróleo

No exterior, o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que mantém o Estreito de Ormuz fechado, gera instabilidade nas cotações do petróleo. Por ali escoa cerca de 20% do petróleo mundial. O brent afastava-se das máximas registradas mais cedo e cedia 0,74%, a US$87,07, em meio a sinais de progresso nas negociações entre Omã e o Irã sobre a navegação por Ormuz.

De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, as tratativas estão agora em um estágio avançado. Enquanto isso, o S&P 500 rondava a estabilidade e o Nasdaq recuava, pressionados pelas ações das grandes empresas de tecnologia, enquanto investidores avaliavam a notícia de que os Estados Unidos e o Irã estariam próximos de "algum tipo de acordo".

Balanços e destaques do Ibovespa

Entre os balanços, o BTG Pactual (BPAC11) teve alta anual de 23% no lucro líquido ajustado, e a Caixa Seguridade avançou 9,5%. Já a Natura (NATU3) registrou recuo de 92,1% no lucro líquido.

Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 0,19%, aos 172.179,93 pontos. Em Dalian, o minério de ferro subiu 1,26%, mas as ações do setor recuam. Vale (VALE3) perdia 0,33%. Petrobras (PETR4) cedia quase 1,5%. Entre bancos, só Unit de Santander (SANB11) subia (1,06%).

Segundo analistas, há sinais de saída de capital estrangeiro da B3. O Ibovespa caía 1,07%, na mínima em 170.342,58 pontos, ante alta de 0,12%, na máxima em 172.385,51 pontos, e abertura em 172.180,01 pontos.

O que esperar do Ibovespa nas próximas sessões

A combinação de saída de estrangeiros, juros elevados por mais tempo e incerteza fiscal deve manter o Ibovespa volátil. A ata do Copom não fechou a porta para novos cortes, mas o tom duro indica cautela. O IPCA acima do esperado, ainda que por pouco, reforça a desconfiança do Banco Central sobre a sustentabilidade da desaceleração da inflação.

Para quem investe, o momento exige atenção redobrada. A projeção do JPMorgan de 185 mil pontos para o Ibovesca no fim do ano indica que ainda há espaço para recuperação, mas o cenário externo, com o Estreito de Ormuz fechado, segue como uma variável de risco.

O mercado também monitora os desdobramentos das eleições presidenciais de outubro, que aumentam a volatilidade. A combinação de crescimento mais fraco, deterioração do crédito e juros elevados por mais tempo pode continuar afastando o capital estrangeiro.

Perguntas Frequentes

Por que o Ibovespa caiu abaixo dos 170 mil pontos?

O Ibovespa caiu abaixo dos 170 mil pontos por causa da saída de capital estrangeiro, da ata do Copom com tom duro e do IPCA acima do esperado, além do impasse no Estreito de Ormuz.

O que a ata do Copom indicou?

A ata indicou que o Banco Central deve manter a Selic em patamar restritivo, com riscos elevados, mas sem fechar a porta para novos cortes. O tom foi considerado duro pela Warren Investimentos.

Quanto o JPMorgan projeta para o Ibovespa no fim do ano?

O JPMorgan reduziu a projeção para o Ibovespa de 190 mil para 185 mil pontos ao fim do ano, rebaixando as ações do Brasil para neutro na América Latina.

O que o IPCA de julho mostrou?

O IPCA de julho ficou em 0,07%, acima da mediana de 0,03%, com alta de 4,44% em 12 meses, também acima do esperado.

Como o fechamento do Estreito de Ormuz afeta o mercado?

O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde escoa cerca de 20% do petróleo mundial, gera instabilidade nas cotações do petróleo e aumenta a cautela global, pressionando ativos de risco como o Ibovespa.

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