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Goldman Sachs eleva Hypera a compra e rebaixa Fleury

ResumoGoldman Sachs elevou a recomendação da Hypera (HYPE3) de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 26, e rebaixou Fleury (FLRY3) de compra para neutra, mantendo o alvo em R$ 18. A mudança reflete menor risco na tese da farmacêutica e valuation mais atraente.

O Goldman Sachs elevou a recomendação da Hypera (HYPE3) de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 26, e rebaixou Fleury (FLRY3) de compra para neutra, mantendo o alvo em R$ 18. A mudança reflete menor risco na tese da farmacêutica e valuation mais atraente.

Rubens Athayde
Rubens Athayde Economista de mercado · 12 de agosto de 2026
Goldman Sachs eleva Hypera a compra e rebaixa Fleury

Goldman Sachs eleva Hypera a compra e rebaixa Fleury: o que muda nas teses

O Goldman Sachs promoveu uma mudança dupla de recomendação no setor de saúde nesta quarta-feira (12). O banco elevou a recomendação da Hypera (HYPE3) de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 26 por ação, ante R$ 25 anteriormente. Na mesma janela, rebaixou Fleury (FLRY3) de compra para neutra, mantendo o preço-alvo em R$ 18 por ação.

Na leitura do banco, a tese da Hypera ficou menos arriscada no segundo semestre de 2026, enquanto a do Fleury já incorporou boa parte do momento positivo recente. A mudança é essencialmente de valuation relativo: o Goldman estima um FCF yield de 7,6% para o Fleury em 2027, contra 9,5% para a Hypera, tornando a segunda mais atraente em termos relativos.

Reação do mercado: HYPE3 sobe, FLRY3 cai

Por volta das 10h20 (horário de Brasília) desta quarta-feira (12), as ações da Hypera subiam 0,43%, cotadas a R$ 21,24, enquanto as de Fleury caíam 1,58%, a R$ 17,97. O movimento reflete a leitura imediata do mercado sobre a mudança de recomendação.

A Hypera, mesmo com o preço-alvo de R$ 26, negociava a R$ 21,24, o que sugere um potencial de alta de cerca de 22% em relação ao fechamento anterior. Já o Fleury, com alvo em R$ 18, estava praticamente no preço-alvo, o que limita o espaço de valorização.

Por que o Goldman elevou a Hypera para compra

A mudança reflete, principalmente, a visão de que a tese da Hypera ficou menos arriscada no segundo semestre de 2026, após a companhia apresentar forte geração de fluxo de caixa ao acionista (FCFE) no 2T26, apoiada por uma gestão mais eficiente do capital de giro.

O capital de giro representou 28,2% da receita dos últimos 12 meses, abaixo dos 30,1% no 1T26. A melhora veio principalmente da maior eficiência logística, que reduziu os estoques. Em outras palavras, a companhia está convertendo menos caixa em estoque, o que libera recursos para o acionista.

O banco também vê forte tendência de desalavancagem em 2026 e 2027. Analistas esperam que a relação entre dívida líquida e EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Hypera caia para 1,9 vez em 2026, ante 2,3 vezes no 1T26, após a conclusão do aumento de capital.

Maturação de lançamentos e GLP-1 como opção

Além da desalavancagem, o Goldman espera que a Hypera continue se beneficiando da maturação de lançamentos recentes de medicamentos, que contribuíram com 2,2 pontos percentuais para o crescimento do varejo no 2T26. Esse é um vetor de crescimento que não depende de novas aquisições, mas sim da execução operacional.

A entrada da Hypera no mercado de medicamentos GLP-1 continua sendo tratada como uma opção de crescimento nas estimativas, embora as vendas possam começar em breve. Ou seja, o banco não coloca esse potencial no preço-base, mas reconhece que pode ser um catalisador adicional.

Fleury: desempenho forte, mas base de comparação difícil

Para o Fleury, o Goldman reconhece o forte desempenho recente da marca premium, que cresceu 12,0% no 2T26, 12,1% no 1T26, 8,6% no 4T25 e 12,2% no 3T25. O crescimento foi impulsionado por ganhos de participação de mercado e pela ampliação do portfólio de serviços em algumas unidades. O banco acredita que essa tendência deve continuar.

No entanto, a base de comparação no segundo semestre de 2026 será mais difícil, o que deve provocar uma desaceleração do crescimento. Esse é o ponto central do rebaixamento: o que cresceu 12% no 2T26 dificilmente repetirá o mesmo ritmo no 2S26, simplesmente porque o comparativo fica mais alto.

Valuation relativo: FLRY3 já subiu 27% no ano

O Goldman também pesa o desempenho acumulado no ano. FLRY3 acumula alta de 27% no ano, contra queda de 4% de HYPE3 e alta de 7% do Ibovespa. Na avaliação do banco, esse desempenho já incorporou boa parte do momento positivo da companhia.

Em termos de geração de caixa, a diferença é clara: o Goldman estima um FCF yield de 7,6% para o Fleury em 2027, contra 9,5% para a Hypera. Ou seja, para cada real investido, a Hypera devolve mais caixa ao acionista, o que justifica a preferência relativa.

O que muda na prática para o investidor

Para quem acompanha o setor de saúde listado, a mensagem central é de rotação: o Goldman prefere a Hypera ao Fleury no momento. A farmacêutica oferece desalavancagem, geração de caixa e potencial de alta de 22% até o preço-alvo. O Fleury, por outro lado, entregou forte crescimento, mas o preço já reflete boa parte disso.

Vale notar que o preço-alvo da Hypera foi elevado de R$ 25 para R$ 26, um ajuste modesto. O que mudou foi a recomendação, de neutra para compra, sinalizando que o risco-retorno melhorou. No caso do Fleury, o preço-alvo foi mantido em R$ 18, mas a recomendação caiu para neutra, indicando que o banco vê espaço limitado para alta.

Perguntas Frequentes

O Goldman Sachs elevou a recomendação da Hypera para compra?

Sim, o Goldman Sachs elevou a recomendação da Hypera (HYPE3) de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 26 por ação, ante R$ 25 anteriormente.

O Goldman Sachs rebaixou o Fleury?

Sim, o Goldman Sachs rebaixou Fleury (FLRY3) de compra para neutra, mantendo o preço-alvo em R$ 18 por ação.

Qual é o FCF yield estimado para Hypera e Fleury em 2027?

O Goldman estima um FCF yield de 7,6% para o Fleury em 2027, contra 9,5% para a Hypera, tornando a segunda mais atraente em termos relativos.

Por que o Goldman rebaixou o Fleury?

O rebaixamento reflete a base de comparação mais difícil no 2S26 e o desempenho acumulado de 27% no ano, que já incorporou boa parte do momento positivo da companhia.

O que explica a melhora da tese da Hypera?

A tese da Hypera ficou menos arriscada no 2S26, com forte geração de FCFE no 2T26, gestão mais eficiente do capital de giro e tendência de desalavancagem em 2026 e 2027.

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