BPAC11: Faz sentido cautela com crédito? CFO responde
Apesar de resultados acima do esperado, BPAC11 tomba 6% e lidera perdas do Ibovespa. CFO Renato Cohen rebate cautela do mercado com crédito ao consumidor e diz que exposição é menor do que parece. Entenda os números.
BPAC11: Por que o mercado está cauteloso com o crédito ao consumidor do BTG?
O BTG Pactual (BPAC11) divulgou resultados que ficaram acima das expectativas e receberam elogios de analistas. Mesmo assim, a ação lidera as perdas do Ibovespa, com tombo de 6%, enquanto o índice desaba mais de 2%. O mau humor não foi afastado pelos números.
A leitura do fluxo de capital indica que o mercado precifica um risco específico: a exposição ao crédito ao consumidor, herança do Banco PAN. A carteira atingiu R$ 78,2 bilhões no trimestre, alta de 6,2%, impulsionada principalmente pela originação de crédito consignado privado.
O temor é de que essa linha aumente a exposição do banco a uma carteira mais arriscada, levantando questões sobre a qualidade dos ativos. Mas o CFO Renato Cohen lembra alguns pontos que mudam a leitura de risco.
O que o CFO do BTG diz sobre a carteira de crédito ao consumidor?
Cohen rebate a preocupação com três argumentos. O primeiro é que o banco já possuía exposição a essa carteira há algum tempo. O segundo é que a preferência da instituição é oferecer crédito com garantias.
"Se você olhar a carteira do Banco PAN, basicamente 95% dela é de crédito que tem o próprio automóvel como garantia ou é crédito consignado", destaca o executivo.
No passado, havia um volume maior de público. Mais recentemente, o banco se envolveu no consignado privado, produto que existe desde 2003. No ano passado, o Governo Federal promoveu mudanças para tornar a concessão mais democrática e barata, criando uma plataforma que centraliza a operação.
Por que o consignado privado é diferente do crédito direto?
Cohen recorda que, no consignado privado, uma parcela do salário é usada para o pagamento do empréstimo. Isso cria uma garantia forte para fazer frente aos juros e à amortização da dívida.
"É bastante diferente de comparar isso com o crédito direto ao consumidor e o crédito do cartão de crédito", afirma.
O executivo diz que o banco está "superconfortável" com o crescimento da linha, com inadimplência menor do que a projetada no ambiente de concessão e originação de novos créditos.
E o aumento de provisões de outros bancos?
Questionado sobre o fato de alguns bancos terem aumentado as provisões para esse tipo de empréstimo, Cohen respondeu que há vários tipos diferentes de clientes.
"Pode ser que um banco tenha escolhido um tipo um pouco mais complicado, mas isso depende muito de como você operacionaliza. Não só da escolha do tipo de cliente, mas do acompanhamento, de como você faz o acompanhamento do crédito."
A leitura analítica aqui é que a qualidade da carteira depende mais da execução do que do produto em si. O número conta a história: a inadimplência menor do que a modelada sugere que a operação está sob controle.
Qual o tamanho do crédito ao consumidor no BTG?
Cohen diz que, dentro do BTG, essa é uma carteira menor. O crédito ao consumidor representa 13% do total das receitas do banco. "O banco é bem mais amplo do que isso", afirma.
Mesmo assim, o banco quer crescer nessa linha, mas também em todos os negócios que tem. "Quando você olha o crescimento de Consumer Finance, é uma linha menor e, por isso, ela cresceu um pouco mais rápido."
Ele recorda que a linha de Asset Management e a própria linha de Corporate Lending também cresceram. A diversificação é o contraponto ao risco concentrado.
"Quando você olha Consumer Finance, se a gente espera crescimento? Sim. Pode ser 13%? Hoje é 13%, pode ser 15%, pode ser 17%. Mas ela não vai ser uma linha dominante, como é nos casos dos bancos de varejo. Ela vai ser mais uma linha de negócio dentro do nosso portfólio, que é superdiversificado."
O que explica a cautela do mercado com o risco de crédito?
Cohen também foi questionado sobre a percepção do mercado em relação ao risco de crédito. Segundo o executivo, é natural que haja essa reação, até porque os juros continuam altos, na casa dos 14%.
"Todo mundo esperava que os juros caíssem de uma maneira um pouco mais acelerada, com cortes de 50, 50 pontos-base por reunião do Copom. Isso não aconteceu. O corte veio um pouco mais lento, mas, já saindo de 15% para 14%, eventualmente há mais suporte", afirma.
O ambiente geopolítico também trouxe incertezas. Preços do petróleo e de energia, de maneira geral, um pouco mais altos. "Faz sentido ter um pouco mais de cautela, mas não acho que o mercado esteja exagerando."
Os indicadores do consumidor mostram melhora?
Apesar da cautela, Cohen vê bons sinais nos indicadores do consumidor.
"O desemprego está próximo da mínima, o número de empregados continua próximo da máxima e a renda disponível, a renda distribuída e a massa salarial estão na máxima. Então, você tem bons indicadores."
O que não apaga o fato de que o cenário está um pouco pior do que se projetava. "Seis meses atrás, você viu uma certa deterioração. Então, faz sentido ter mais cautela na concessão de crédito. Acho que é um pouco esse o cenário."
BPAC11: a queda abre oportunidade ou confirma o risco?
A leitura do fluxo de capital sugere que o mercado está pesando o risco de crédito ao consumidor em um ambiente de juros altos. O CFO responde com dados: 95% da carteira com garantia, inadimplência menor que a projetada e exposição limitada a 13% das receitas.
O número conta a história: a queda de 6% da ação pode ser mais reação emocional do que mudança fundamental. Mas o ceticismo do mercado não é infundado, dado o cenário macroeconômico de juros elevados e incertezas geopolíticas.
Para quem acompanha o setor, a pergunta não é se o BTG vai crescer no crédito ao consumidor, mas se a execução vai manter a qualidade dos ativos. Cohen diz que sim. O mercado, por ora, prefere esperar para ver.
Perguntas Frequentes
O crédito ao consumidor do BTG é arriscado?
Segundo o CFO Renato Cohen, não. Ele destaca que 95% da carteira do Banco PAN tem garantia de automóvel ou é crédito consignado, com inadimplência menor do que a projetada.
Qual o tamanho do crédito ao consumidor no BTG?
O crédito ao consumidor representa 13% do total das receitas do banco. A carteira atingiu R$ 78,2 bilhões no trimestre, alta de 6,2%.
Por que a ação BPAC11 caiu 6%?
A ação lidera as perdas do Ibovespa, com tombo de 6%, mesmo com resultados acima das expectativas. O mercado está cauteloso com a exposição ao crédito ao consumidor.
O que é o consignado privado?
É um produto de crédito em que uma parcela do salário é usada para o pagamento do empréstimo. O produto existe desde 2003 e passou por mudanças do Governo Federal no ano passado.
O mercado está exagerando na cautela com o BTG?
O CFO diz que faz sentido ter cautela, mas não acha que o mercado esteja exagerando. Ele vê bons indicadores no consumidor, como desemprego próximo da mínima e massa salarial na máxima.
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